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Siena

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Visualizar 2013 Itália no mapa de viagens de Akemi Nomura.

"Hoje aqui, amanhã não se sabe. Vivo agora antes que o dia acabe. Nesse instante, nunca é tarde. Mal começou, eu já estou com saudades"

Chuva, chuva, chuva... Por que faz isso comigo? O que me resta aqui são mais dois dias e meio de chuvas por todos os lados... Decidi fazer minha mochila e ir para Toscana mesmo. As chuvas seriam menos intensas. Pompéia vai ficar pra próxima. Putz, vou ter que voltar! Até porque no casamento um rapaz de Nápoles me recomendou conhecer Sorrento (uma cidade da Costa Amalfitana), além de Pompéia, mas eu precisaria de um dia para cada uma. Como as ruínas de Pompéia são lugares enormes abertos, e Sorrento já é área litorânea, não ia funcionar bem ir num dia prevendo "tempestade". Retorno um dia pra fazer essa região num clima mais propício. Vantagem de não planejar? Poder se adaptar ao clima!

Acordei cedo e fui de carona com a Adriana. Nós descemos na estação de Settebagni e fomos até Tiburtina. Ali, pela bagatela de 23 euros, eu peguei um ônibus para Siena. O ideal é ir de carro. Senão, ônibus e trem por último, pois a estação é longe do centro. Outro motivo é ter que ir até Florença pra depois pegar outro trem. Muito trabalho!A viagem levou cerca de 3h porque pegamos trânsito na saída de Roma. Desci na Piazza Gramsci. Tinha baixado o mapa no ipad, porém, levei uns 10 minutos para me achar no mapa. Depois que eu descobri onde estava, foi facinho facinho. Já estava me sentindo em casa.

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As ruas de Siena são uma viagem no tempo. É voltar pra era medieval. Construída sobre três colinas, a cidade tem ruas, vielas e becos estreitos e entrelaçadas que conduzem ao coração da cidade. É um mega labirinto, tipo Veneza. Mas Veneza sempre acaba no Grande Canal, aqui não. Queria saber quem me falou que não entra carro no centro histórico de Siena. Entra sim! E é uma saco, principalmente naquelas ruelas estreitas. Eu fico imaginando o quanto eles devem xingar os turistas folgados, hehe.

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Segundo a mitologia romana, Siena foi fundada por Sénio, filho de Remo, e pela cidade estão espalhadas várias esculturas da famosa imagem dos irmãos Rômulo e Remo sendo amamentados pela loba. Historicamente falando, Siena foi criada como um pequeno núcleo de soldados romanos em 30d.c. que com o tempo desenvolveu-se em um posto comercial até chegar ao esplendor de hoje. A cidade é famosa pelo “Palio de Siena”, a corrida histórica a cavalo, que acontece todo ano no dia 2 de julho e 16 de agosto e também por ser a sede de uma das mais antigas universidades da Europa. Já de cara me surpreendeu pelo tamanho, a cidade além dos muros é muito grande. O centro histórico é feito todo a pé. Essa parte não é tão grande mas é maior do que eu esperava. Na verdade, não sei se é maior do que eu esperava mas tem mais subidas (e bota subidas) e descidas do que eu esperava. Um sobe e desce absurdo, viu? Ladeiras e escadas íngremes, uma chance que Siena te dá para experimentar a gastronomia da Toscana sem culpa... Rs.

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Reservei de última hora o B&B Siena in Centro, dentro da muralha, perto do Duomo. É bem localizado, o quarto é bom, nada excepcional, mas atende meu padrão de qualidade. O quarto individual saiu por €47 com café da manhã. No check in, tem que pagar €2,5 de taxa municipal também. Eu recomendo! Mas como cheguei 12h, o check in era só às 15h. Resultado, fui andar. Comecei ali perto da Piazza Gramschi, na Basílica Cateriniana de San Domenico. É uma basílica que foge do estilo pomposo de Roma. Tem características de idade medieval mesmo. Numa pequena capela lateral, mais bonitinha, tinha uma explicação: "As relíquias da sagrada cabeça de Santa Catarina de Siena tem sido conservada nessa Basílica desde 1383. Vários documentos históricos e oficiais confirmam a veracidade". Foi quando eu percebi no centro do altar um crânio com as vestes religiosas ainda. Acho meio bizarra essa exposição, ainda mais só a cabeça, mas... Resquícios do passado, faz parte da história!

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Uma das melhores coisas de Siena é andar por seus labirintos, ops, ruas. Um olhar menos romântico veria ali um imenso cortiço. Mas tem uma história imensa por trás desses becos. Cercada por vinhedos dos quais se extraem estupendas garrafas do autêntico Chianti, Siena faz jus à fama de lugar romântico dos que só se encontram na Toscana, com seu Centro Histórico medieval muito bem preservado. Esse é só um tira gosto da Toscana. Estou só começando a descobrir a região. Rodando pelas ruelas, caí na praça principal, a Piazza del Campo. A imensa e curiosa praça do século XII, toda pavimentada de pedras e tijolos, é marca registrada de Siena. Aqui estão o Palazzo Pubblico, com sua alta Torre del Mangia, e vários outros edifícios antigos, restaurantes e lojas. É lá que ocorre o famoso Palio di Siena. Do lado oposto ao Palazzo, está a bela fonte Gaia.

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Palazzo Pubblico e Museo Civico: O Palazzo Pubblico de Siena, construído no finalzinho do século XIII, em estilo gótico característico, com sua fachada com janelas em arco, separadas por colunas, foi durante muito tempo sede do poderoso governo sienense. Sua Torre del Mangia, com 102 metros de altura, é uma das mais altas torre medievais da Europa. A vista lá de cima é espetacular, quero dizer, deve ser. Depois de tanto sobe e desce não encarei a subida. São 40 minutos de subida, tá doido!

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Depois de caminhar umas 2h30 sob ameaça de chuva, fiz o check in e fui descansar um pouco. Perto das 16h, vi o sol pela janela. Fiz a escolha certa em subir pra Toscana, o céu desabou em Pompéia. Bom consolo! Desci em direção ao Duomo. Estava ouvindo uma batida, tipo de tambor. Quando cheguei na Via que levava ao Duomo, saíam de todas as ruelas trios vestidos com roupas medievais, um na frente batendo o tambor e dois atrás com bandeiras. Eles iam no sentido da Piazza do Duomo. Quando cheguei lá, vi que vinham trios de todos os lados. Um atrás do outro, numa pequena parada de Siena. Cada trio com cores e bandeiras diferentes. Bem bacana! Mas não tinha a menor ideia do que estava acontecendo. Quando todos entraram na igreja de Santa Maria della Scalla, a multidão entrou junto. claro que eu fui atrás. Lá eu entendi algo sobre uma cerimônia de "Capoanno Senese". Tipo, um fim de ano, só que não! Ahahaha, não entendi mesmo... De lá, saíram todos em um desfile pelas rua. E lá fui eu de novo junto com a multidão acompanhando a parada senese, ou sienense, até a Piazza del Campo. Uma multidão espremida naquelas ruelas. Lá, entraram no Pallazzo Pubblico para uma cerimônia com autoridades enquanto eu seguia o meu caminho.

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Voltei para o Duomo, afinal, fui interrompida no meio do caminho, rs. Olha só, se tem uma coisa que me revolta é pagar pra entrar em igreja. Não, eu me recuso! Já entrei em duzentas lá em Roma, tá bom, né? Dizem que é imperdível, mas, eu tenho minhas dúvidas. Duvido que supere San Pietro (que é de graça)... Bom, o Duomo abre de segunda a sábado das 7h30 às 19h30 e aos domingos das 13h30 às 19h30. Li que o pavimento é belíssimo, cheio de mosaicos mó legal... Droga! Fiquei com vontade de entrar lá... Vou ter que me contentar com a fachada.

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Depois peguei o mapa e fui em busca da Fontebranda. Gente, como deu trabalho de achar esse negócio. Fica na parte baixa da cidade, mas dentro da muralha. Nossa, eu desci já com medo do que teria que subir. Na descida, encontrei o Santuário de Santa Catarina. Ufa! Esse era um dos pontos que eu estava procurando. Lá dentro tem um capela pequenininha dedicada a ela. Lindíssima! Tá vendo, pra quê pagar pra entrar em igreja? Segui o mapa e finalmente achei a Fontebranda (La Fonte che parla). Que coisinha mais sem graça! Foi construída em 1193 e é uma das mais famosas e antigas fontes de Siena. Era a principal confluência dos aquedutos da Siena medieval. Tem um barulhinho constante de água escorrendo, por isso que é a "fonte que fala". Dá pra imaginar como era a 700 anos atrás. Mas é bem simples, não tem o mesmo charme da Fontana di Trevi.

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A volta tinha tudo pra ser um drama. Depois de andar o dia inteiro, eu estava no vale entre duas colinas de Siena. Mas, viva a tecnologia. Ali do lado tinham várias escadas rolantes ligando a parte baixa à parte alta. Não a mais alta, mas quase lá, porque ajudou muito. Parei no Duomo para esperar anoitecer. Mas comecei a congelar. Essa região é bem mais fria que Roma. Fui andando nas ruelas em busca da Piazza del Campo, onde achei um restaurante com wifi. Comer aqui é um assalto, €5,5 na latinha de coca zero, fala sério? Mas pelo menos tem wifi pra suprir minha abstinência de internet, hehe. A noite estava linda, fria, mas linda. Uma bela lua cheia deixava a paisagem mais bonita. Foi um belo dia numa das regiões mais encantadoras da Itália!

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Eu me surpreendi ao retornar para o hotel. Pouquíssimas pessoas na rua. Cadê aquele monte de turistas que estava aqui de dia? Turista de verdade não tem medo de frio e chuva. Perder uma bela noite dessa pra ficar no hotel? Se mata! Foi até meio tenso pra voltar pro hotel. Aquelas ruelas sem ninguém assustou um pouco. Mas, sobrevivi! Rs.

Publicado por Akemi Nomura 8:05 Arquivado em Itália

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Comentários

A Itália é surpreendente mesmo. Cada cidade, cada rua, uma história. Belo passeio

por Marcos Fracalossi

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