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Cusco - 3

Vale Sul

rain 14 °C
Visualizar 2017 Peru no mapa de viagens de Akemi Nomura.

Vamos lá povo, domingueira... Acordei às 3h40 mas nem ligo mais. Como o Brasil está três horas a frente é como se estivesse acordando às 6h40, então tá bom né? Mamãe esta a mais preguiçosa hoje. Fomos tomar café eram 6h40. Hoje o Juan ia nos buscar às 8h, então tava de boa. A novidade de hoje era a chuva. Estava fininha e contínua. Hoje a capa e o tênis impermeáveis seriam colocados à prova.

Juan chegou às 8h. Estávamos meio sonolentas mas esperando na porta. Pegamos caminho da primeira parada: Tipón. Juan já avisou que hoje ia ter subida. Só de carro já era uma senhora subida. Acho que sem o Juan não faríamos metade do que estamos fazendo. No caminho ele chamou a atenção para um carro com uns enfeites de flores. Ele disse que era um batismo de carro. Quando a pessoa compra um carro não necessariamente novo ela enfeita e leva numa igreja pra ser abençoado.

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Bom, chegamos em Tipón. A entrada é com o bilhete turístico. Já falei dele? Bom, você paga 130 soles por ele e tem acesso a vários locais. Hoje com a chuva tínhamos que tomar cuidado com o barro. Tipón é mais um centro cerimonial inca. Na entrada tem a pucara que já expliquei ontem. Aí tem os terraços agrícolas. Uma grande praça para cerimônias no começo estava sendo utilizada por três cachorros para brincar, haha.

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Nós fomos subindo pela trilha inca. Gente, essa trilha é uma coisa de louco. Elas se espalharam pelos 6 países, são mais de 60 mil metros quadrados de trilha. Na trilha entre Cusco e Pisac levavam 3 dias pra percorrer. Os mensageiros faziam em 24 horas porque faziam correndo. Correndo! Eu mal consigo subir andando. Juan disse que eram jovens com preparo físico. Pra usar essas trilhas era cobrado pedágio e o pagamento era por meio de produtos que produziam. Para os incas o ouro e prata não tinham valor monetário, apenas espiritual. Impossível não relacionar o império inca com o império romano. De longe eu vi umas pessoas no alto da montanha descendo a trilha. Juan nos explicou que os povos que vivem ali ainda usam essas trilhas. Puxei o zoom pra ver porque não estava acreditando.

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Como toda cidade inca tinha, além das pucaras, os armazéns. Também tinha a casa dos sacerdotes. Essa parte estava restaurada sendo só a base original. A energia da montanha era algo sensacional. Fizemos dois rituais em dois pontos do sítio. Em um deles você molha a mão em um determinado aqueduto, passa a mão na cabeça três vezes e faz três pedidos. No segundo pegamos três flores e num determinado subir sopramos as flores três vezes e oferecemos para Pachamama e fazemos três pedidos novamente.

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Falando de água não tem como não reparar no aqueduto. As águas descem dos gelos e lagos das montanhas até hoje. No templo da água você vê os símbolos da cultura inca como os quatro elementos da natureza e a dualidade sol/lua, homem/mulher. A engenharia do negócio é muito legal. Tem uma parte que mostrar uma espécie de chicane pra que a água que desce perca velocidade e escorra de forma mais suave. E gente, funciona até hoje. Água potável constante. Sensacional! Eu me amarrava na engenharia dos romanos mas não tinha noção da capacidade dos incas.

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Juan nos contou uma história interessante. Já tinha visto na catedral, ou melhor, nas catacumbas do templo do triunfo, estavam as cinzas de Inca Garcilaso de la Vega. Não tinha entendido a importância dele pra estar nas catacumbas da catedral. Tinha até uma placa falando que os reis da Espanha trouxeram as cinzas pra cidade em 1978. Esse cara era um mestiço filho de pai espanhol e mãe inca. Sua mãe era sobrinha do antepenúltimo imperador inca. Garcilaso cresceu com a família da mãe e conhecia tudo sobre as tradições incas. Aos 21 anos ele foi estudar na Espanha e mais tarde escreveu “Comentários Reais dos Incas”. Nessa obra ele registrou tudo o que conheceu quando viveu dentro da cultura inca.

Saindo dali fomos conhecer outra cultura no sítio de Pikillacta. Os waris quando chegaram na região já encontraram ali outros povos. Os primeiros que habitavam a região eram os lucre (não tenha certeza se escreve assim). Os terraços de agricultura dos lucres datam de 1500 AC. Conseguimos ver os terraços de onde estávamos.

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A montanha onde se estabeleceram os waris não tinha terra boa pra agricultura mas foi onde os que já estavam lá permitiram. Ali tinham seus armazéns, espaços para cerimônia, casa dos sacerdotes, enfim, toda uma estrutura dentro das muralhas. Os waris se juntaram a outros povos conquistados pelos incas com a intenção de tomar suas terras e toda estrutura já existente lá. Isso enfraqueceu o império inca. No local haviam começado alguns trabalhos arqueológicos. Juan disse que todos os meses os guias registrados da cidade fazem atualização pois as descobertas arqueológicas são constantes.

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Dali passamos por uma grande muralha chamada Rumilcolca. Essa muralha nada mais é que uma pucara, ou seja, um posto de segurança. Era a porta de entrada das terras sagradas dos incas, por isso a imponência do lugar.

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Uma parada pra ver um mapinha e ter a noção do tamanho do império inca.

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Fomos pra última parada do dia: Andahuaylillas. É um vilarejo que atrai a atenção por conta de sua igreja, patrimônio cultural de Cusco. A entrada custa 15 soles mas.... estava tendo missa. Sabe o que isso significa? Você simplesmente entra. Lembro de ter feito isso na Espanha. Quer entrar numa igreja sem pagar? Chegue na hora da missa, haha. Lá dentro não pode tirar fotos mas garanto que é linda. Agora a quantidade de ouro principalmente no altar era absurdo. As telas retratavam a forma que os espanhóis tentavam evangelizar os incas. Ali existia um templo inca que foi destruído para construção da igreja. É uma tentativa dos espanhóis se imporem frente aos incas que, mesmo obrigados a construir obras para os espanhóis, deixavam sua marca com algum símbolo que representasse sua cultura. Na porta da igreja, por exemplo, você vê três cruzes que representam a triologia inca.

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A chuva não nos deixou mas não nos atrapalhou também. Voltamos pra Cusco e no caminho continuei encantada por aquelas montanhas. Que coisa mais linda. Passamos por um povoado que faz um tipo de pão muito conhecido por aqui. Você passa de carro e vê meninas (crianças mesmo) com sacos de pão pra vender pros carros que passam. E vários terraços continuam aparecendo no caminho.

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Na chegada em Cusco tem um monumento pra Pacachute, a figura mais lendária do império inca. Antes de Pacachute os incas se reservavam às suas terras. Com a aproximação dos canchas que queria dominar a cidade o então imperador, pai de
Cusi Yupanqui, fugiu com dois de seus filhos. Foi então que Cusi Yupanqui assume a defesa da cidade. Resumindo, expulsou os invasores e assumiu o reino como Pacachute. Foi ele que, junto com seus filhos, expandiu o império para seis países em 80 anos. Em sua maioria as conquistas foram sem guerras, apenas com diplomacia. Os incas levavam sua tecnologia e seu conhecimento pra esses povos. É definitivamente um dos nomes mais importantes da história inca.

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Ficamos no hotel pra descansar um pouco, ou seja, dormir. Por volta das 14h comecei a organizar minhas coisas. Lá pelas 15h saímos e fomos andando pela rua debaixo do hotel. Ali fica o mercado São Pedro que fomos ontem, a igreja de São Pedro e a estação de... São Pedro! Uns 20anos atrás saía trem dali direto pra Águas Calientes.

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Seguindo na mesma rua vem a igreja de Santa Clara e em seguida um portal que eu não faço ideia do significado, hehe.

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Hoje eu fui observando os estilos das casas, suas sacadas, suas fachadas. Tem todo um charme na velharia.

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Seguindo na rua chegamos na Plaza San Francisco onde fica a igreja... adivinha? San Francisco! Muito bem. Ali tem uns restaurantes bonitinhos. Não entramos em nenhuma dessas igrejas. Tem hora que cansa. Na praça estava tendo uma apresentação de dois caras fazendo palhaçada. Seguimos...

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Plaza de Aramas pra trocar dinheiro. O almoço hoje ia ser no Per.UK. Esse restaurante está muito bem avaliado no Tripadvisor. Gente, a comida estava deliciosa, ambiente super agradável mas... já falei que a digestão aqui é lenta? Não devia ter comido. O prato nem era tão grande assim mas não aguentei comer metade. Mamãe também. E saímos de lá com a sensação de ter comido um boi. Gente, muito estranho isso. Se bem que por outro lado aqui é fácil fazer dieta, haha. Mas hoje eu saí realmente mal. Não gosto de me sentir assim, sabe, a gente perde o prazer da refeição. Mas eu já estava 5h sem comer, eu comi pra não ficar com fome. E não aguentei. Acho que agora só amanhã. Jejum intermitente, haha.

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Saímos nos arrastando e resolvemos lassar pelo Museu Regional de Arqueologia. Pra minha surpresa o local que fica o museu foi casa de Inca Garcilaso de la Vega. A entrada é com o boleto turístico. No começo me decepcionai um pouco. Era uma exposição de pré história. Depois tudo fez sentido. Em poucas salas eles contaram toda a história da região desde a pré história até a chegada dos espanhóis. Na parte dos incas mostrava uma coisa que o Juan tinha nos falado e acho que não comentei. Cusco era conhecida como a cidade do Puma. Sua praça era o corpo, a cauda era a junção de dois rios e a cabeça era o templo de Sacsayhuman.

Na parte das obras sacras foi possível identificar vários sinais da relação espanhóis x incas. Uma parte era obviamente dedicada a Garcilaso e uma parte me chamou a atenção. Na volta do tour passamos por uma placa de rua que chamava Tupac Amaru. Esse nome não me era estranho. Juan tinha me explicado que Tupac Amaru foi um mestiço que liderou a resistência contra os espanhóis. Ele foi uma espécie de Tiradentes. Inclusive foi preso e executado na Plaza de Armas. Seu corpo foi esquartejado com o uso de quatro cavalos e sua cabeça foi exposta nos vários povoados. Sua família também foi assassinada. No museu tinha uma sala dedicada a ele. Tupac Amaru é sinônimo de liberdade.

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Andar nesse museu foi bom pra me sentir melhor depois de ter a sensação de ter comido um boi. Voltamos andando devagarzinho direto pro hotel. Precisamos deixar as coisas organizadas porque amanhã levantamos acampamento por uma noite.

Uma das coisas que eu achei mega interessante é a força da cultura inca que ainda existe na região. Inclusive Francisco Pizarro, o conquistador, não é bem visto pois ele é o resumo de todas as atrocidades cometidas pelos espanhóis. Até hoje o idioma Qechua é ensinado nas escolas e faculdades. Existe um orgulho muito grande da descendência inca. Não é pra menos, afinal, era um povo mega evoluído. Acho que só vi uma relação parecida com seus antepassados quando fui na Nova Zelândia. Acho muito maneiro quando uma determinada cultura mostra sua força e tantos anos depois não se perde.

Publicado por Akemi Nomura 17:15 Arquivado em Peru

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