Um blog do Travellerspoint

Por este autor: Akemi Nomura

Cusco - 5

Um descanso merecido

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Acordamos sem pressa nenhuma hoje. Depois de tantos compromissos no período da manhã hoje foi um dia sem pressa. Acordar sem oressa não quer dizer acordar tarde. Essa viagem foi toda acordando de madrugada mesmo, não entramos no fuso. Mas curtimos uma preguiça legal.... Levantamos pra tomar café porque acabava às 9h. Aqui é assim, o café começa às 5h e vai até às 9h. Depois resolvemos sair sem rumo. Não tinha muito compromisso mesmo. Começamos pelo museu de Qoricacha. Não tínhamos ido porque não tínhamos o bilhete turístico. E como já tava comprado vamos usar. É um museu pequeno que tem resquícios desde a pré-história até os incas. Não é nada excepcional mas já que a gente não tinha o que fazer mesmo...

E nessas andanças a gente observa a cidade de outra forma, com mais detalhes, de forma mais enriquecida. Hoje era dia de jogo decisivo pro Peru ir pra Copa. A cidade estava em polvorosa. Muito movimento, muita gente na rua... observamos melhor as caras de Cusco, as fachadas, as crianças, os cachorros, as flores, a vida na cidade.... um resumo em fotos aleatórias....

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Mamãe ficou encantada com o povo peruano. Especialmente com o povo andino porque aqui ela se sentiu alta, haha. O povo andino é baixo e com tronco largo para acomodar os pulmões maiores adaptados à realidade de menos oxigênio da altitude. E ela foi correndo conversar com uma autêntica mulher andina. Só que a mulher não falava espanhol, só qechua, haha...

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A noite foi caindo, a praça foi enchendo... gente de todo lado, crianças brincando, cachorros de rua simpáticos, as montanhas que cercam a cidade começavam a desaparecer na escuridão. Um telão na praça aguardava o povo pro jogo. Uma nova visão do mesmo lugar.

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Para terminar a última noite no Peru, paramos em um café com vista pra Plaza de Armas. Ainda havia lugar na janela e a gente foi ficar de boa. Um capuccino e um docinho enquanto observamos essa jóia histórica pela última vez. Foi uma viagem surpreendente. Uma história apaixonante, um povo acolhedor e uma comida saborosíssima. Pelo menos uma vez na vida vá ao Peru.

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Publicado por Akemi Nomura 10:12 Arquivado em Peru Comentários (0)

Machu Picchu

O climax da viagem

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É hoje!!!!! Auge da viagem!!!!! O maior e mais famoso templo inca no Peru: Machu Picchu!!!!! Acordei às 2h40 e escrevi o post do dia anterior no celular já que tinha deixado o ipad no hotel em Cusco. Um pouco antes de levantar comecei ouvir barulho de chuva. Bom, vim até aqui não é chuva que vai me impedir. Mas antes de começar o dia deixa eu falar sobre o acesso a Machu Picchu.

Pra começar a compra do ingresso para Machu Picchu. O mais recomendado é comprar com antecedência pela internet no site http://www.machupicchu.gob.pe/. Não é nada complicado. Imprima seu ingresso e por via das dúvidas salve o arquivo pdf e leve com você. Não se entra mais um Machu Picchu qualquer hora. Se eu não me engano foi a partir de junho de 2017 que o esquema mudou. Hoje existem dois períodos pra entrada: das 6h às 12h e das 12h às 18h. Recomendo escolher sempre o período da manhã. Um dos motivos pra ir de manhã é que se você tiver em alta temporada dizem que é bonito ver o sol nascer lá. Outro motivo é que o período escolhido é pra entrada mas não determina que você tem que sair meio dia, entendeu? Você pode entrar 11h30 e ficara tarde inteira. Assim você tem liberdade de programar sua chegada pro melhor horário do dia.

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Outra coisa, no ingresso está escrito que é válido uma vez. Em 2017 o ingresso dá direito a duas entradas e você pode escolher qual circuito fazer. Antes além de entrar qualquer horário, podia entrar três vezes e não tinha um circuito, cada um ia onde quisesse. Hoje quando você passa determinados pontos não pode voltar mais. Mas essa informação serve pra 2017 porque pode ser que em 2018 só se tenha direito a fazer o circuito uma vez. Essas mudanças foram feitas com intenção de preservar o lugar. A primeira ideia era diminuir o número de pessoas que acessariam Machu Picchu. Porém isso aumentaria o valor de ingresso e diminuiria o acesso pois menos pessoas poderiam pagar. Então resolveram restringir o horário de entrada pra diminuir o tempo que as pessoas acessam o templo. Se a intenção é preservar então a mudança é válida. Dessa forma faça o primeiro circuito bem feito caso não tenha oportunidade de voltar.

Ok, ingresso impresso agora vamos à subida da montanha. Se você for aventureiro é fácil, é só ir andando e subir a montanha. Acho que em umas 3h - 4h de subida você chega lá. Os que não desistirem, claro! Eu ouvi gente na rua às 3h30 da manhã. Se for alta temporada o pessoal na rua às 3h30 estaria indo pro micro-ônibus. O Yersiño, nosso guia, disse que pra pegar o primeiro ônibus na alta temporada tem que chegar pelo menos 2h30 antes e as filas durante o dia demoram horas. Mas em baixa temporada não precisa se preocupar com filas. Não recomendo ir muito tarde pois vai ficando muito cheio em qualquer temporada. Mas agora em novembro acho que pegar o ônibus das 8h está de boa. Esse mês começa o período das chuvas e muito cedo tem muita neblina o que pode atrapalhar. E muito tarde fica mais cheio como disse antes. Em novembro não tem fila pra pegar ônibus pode ficar sossegado. Tem muito vídeos e blogs que bombardeiam informações dessas filas. Eu mesma cheguei muito pilhada com isso. Mas foi de boa. O ingresso do ônibus você pode comprar na hora ou com antecedência pela internet (https://www.consettur.com). Ah, traga um documento de identificação de preferência passaporte. Na saída você pode carimbar seu passaporte. É legal deixar registrada sua passagem por Machu Picchu.

Ingresso comprado de ônibus e acesso ao sítio arqueológico vamos subir. O ônibus sobe em zigue zague em uma estrada estreitinha. Chovia fraquinho, nada que incomodasse. Chegando lá em cima aguardamos o Yersiño. Sem problemas na entrada estávamos lá dentro às 8h30.

Existem zilhões de informação sobre Machu Picchu na internet e fica difícil reproduzir três horas de explicação do Yersiño aqui. Então vou citar alguns pontos durante o percurso e tentar não ser repetitiva com o que eu já falei sobre a cultura inca. Bom, o antropólogo americano Hiram Bingham, da Universidade de Yale, é considerado o “descobridor” de Machu Picchu. Porém quando ele chegou aqui em 1911 existiam duas famílias morando aqui. Foi inclusive uma criança, filho dos camponeses, que o levou até parte das ruínas da cidade tomada pela floresta. Como disse nosso guia, Hiram foi o primeiro “turista” a chegar em Machu Picchu, hehe. Bom, ele chegou, tirou milhares de fotos do local e levou de volta aos Estados Unidos. Apresentando essas fotos na universidade, para a National Geographic Society e pra Kodak ele conseguiu patrocínio para retornar e fazer os trabalhos de exploração do lugar que ficou conhecido como “cidade perdida dos incas”. Abaixo as fotos que o Yersiño nos mostrou sendo na última dos camponeses que moravam ali.

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Yersiño disse uma coisa que eu não sabia (ou pelo menos não lembrava): os espanhóis não chegaram a Machu Picchu. Depois de passar por tantos lugares destruídos e saqueados pelos espanhóis me surpreendeu esse fato. Avisados da aproximação dos colonizadores os habitantes de Machu Picchu destruíram o acesso à cidade e fugiram. Com o tempo a floresta tratou de proteger o lugar até o antropólogo americano chegar. Nas fotos abaixo dá pra ver uns lugares meio cobertos ainda.

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Logo na chegada o caminho natural é o circuito 1. Fomos subindo umas escadas construídas pra acessar uns terraços agrícolas. Essas escadarias foram construídas pelo Ministério da Cultura. A subida é um pouco difícil mas vai devagar que você chega lá. O prêmio é o acesso à famosa imagem de cartão postal:

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O visual lá de cima é apaixonante. Uma energia única estar ali. Logo acima de onde a gente estava tinha um posto de controle. Na cidade era fácil ver as partes agrícolas, militares e religiosas. A parte central era um anfiteatro onde o povo podia ficar. No fundo fica a montanha de Huana Picchu onde uns doidos pagam (caro) pra subir até o topo. A diferença de Machu Picchu dos outros sítios é a grandiosidade e a originalidade. Yersiño disse que 80% da cidade é original. Mano do céu, dá vontade de sentar ali e não sair mais. Que visual, que energia, que espetáculo da história com a natureza.

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Descendo ali passamos pela porta de entrada. A primeira coisa que o visitante que chegava na cidade via era Huana Picchu. Quem chegava levava algum produto para fazer o escambo. Passando dessa porta você não volta mais tá? Tem que continuar o circuito. Gente, vai cedo pra poder ter uma vista mais limpa de gente e poder tirar foto legal. Enfim, passando a porta entramos na parte religiosa e mausoléus reais.

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Dali passamos pela praça sagrada, templo do sol, jardim botânico. Tudo com seus símbolos que ligavam à crença dos incas. Perguntei pro Yersiño se os incas construíram pirâmides que nem os maias. Ele disse que os incas utilizavam as formas da montanha pra formar sua pirâmide. Aí ele disse que Machu Picchu começou lá no pé da montanha e foi subindo base a base. Lá de cima conseguimos ver uma área que foi coberta pela floresta mas que claramente eram mais terraços. Eles ainda trabalham na limpeza do lugar.

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Uma parte interessante era a acústica das moradias. Entramos em uma delas e nas “janelas” fechadas quando você coloca a cabeça nas janelas e uma pessoa fala em outra parece que ela está do seu lado. Muito legal isso.

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O metal escuro na mão do guia era o material que os incas utilizaram pra esculpir as pedras das paredes. Aqui em Machu Picchu os incas utilizaram pedras da própria montanha.

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Na foto abaixo dá pra ver a trila inca na montanha.

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Claro que tinha uma parte alta que mamãe quis subir. E claro que eu não. Mas como eu não estrago a felicidade alheia eu segui por baixo e ela por cima. No alto, rodeada de construções da elite, encontra-se a pedra Intihuatana ("onde se amarra o Sol"), um dos objetos mais estudados de Machu Picchu, que foi relacionado com uma série de lugares considerados sagrados a partir do qual se estabelecem claros alinhamentos entre acontecimentos astronômicos e as montanhas circundantes. E olha ela lá em cima toda orgulhosa.

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Atravessando o anfiteatro por outro lado chegamos na entrada de Huana Picchu. Ali do lado o Yersiño mostrou uns vídeos da subida dessa montanha. Caracas mano, é tenso! É alto, é estreito, é tudo que eu tenho pavor. Só entram 400 pessoas por dia, sendo 200 de manhã e 200 de tarde. E a parte final é tão tensa que você precisa da ajudas das mãos pra subir. E eu que cheguei a cogitar fazer essa subida, haha. Mas nem que eu quisesse pois tem que reservar com pelo menos 4 meses de antecedência.

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Ali pertinho tem uma pedra que a galera estava tocando. Perguntei o que era e ele disse que era pra absorver energias positivas. Tô precisando, bora lá. Continuando chegamos na parte final. É uma caminhada mais raiz, literalmente, hehe. Além das trilhas de pedras muito caminho na terra e por meio de árvores e entramos nas moradias do lado militar. Passando pra parte com vista pro anfiteatro mais uma vez uma amostra da acústica do local. Uma batida de palma de um lado e ouvia o som do outro. Esses incas eram phodas.

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Uma parada pra uma foto definida por Yersiño como: Machu Picchu eu comigo.

Mais um desafio: uma escada enormeeeee. Fui me agarrando nas pedras mas fui. Passamos pelos aquedutos que ainda funcionam porque algum inca doido foi lá no topo da Montanha canalizar a água das geleiras. Ah, falando nisso, Machu Picchu é o nome da montanha tá? E o topo dela era bem acima da cidade.

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Antes de sair um outro ângulo da cidade. Uma vista sensacional das montanhas de um lado e dessa jóia histórica do outro. A câmera funcionou histericamente. Impossível não bater muitas fotos desse lugar. Nos despedimos do Yersiño já eram quase 11h30. Então bora entrar de novo pra fazer o circuito 2. É um circuito mais curto que não tem a subida pra foto da cidade lá do alto. Mas tem um monte de escada pra subir pra chegar na praça sagrada. Sentamos lá um pouquinho e quem chega lá? O grupo de brasileiros da CVC. Simpáticos já chegaram abraçando a gente. Depois continuamos nosso caminho pro outro lado da cidade pra passear até a saída.

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Passaporte carimbado!

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Cansei! Mas valeu muito a pena. É um cansaço de satisfação sabe? Tem coisas que você tem que fazer uma vez na vida. Uma delas é visitar Machu Picchu. Aliás, todo Vale Sagrado. E deixar Machu Picchu pro final. E assim fechamos nosso circuito inca que foi sensacional. Decidimos descer pra Aguas Calientes e almoçar lá. Tinha lugar melhor e com bom preço pra comer. Conseguimos embarcar no ônibus de volta sem problemas. Usei o tripadvisor pra escolher o restaurante e acertamos. Chama Mapacho e fica na beira da linha do trem. Sentamos na parte de trás com vista pro rio. Mamãe estava empolgada e feliz com o passeio mas aí bateram as lembranças. Foram inevitáveis as lágrimas. É muito difícil lidar com a ausência e vai ser pra sempre. Disse pra ela que era isso que papai gostaria que ela fizesse, que nós fizéssemos. E vamos apreciar a vida e dar importância ao que realmente tem importância! A comida estava deliciosa. Como eu disse Aguas Calientes me surpreendeu. Tinham outros restaurantes bonitinhos mas o Tripadvisor normalmente acerta. O atendimento foi muito bom, comida boa, lugar agradável.

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Voltamos pro hotel pra pegar as mochilas e o céu desabou. O universo conspirou a nosso favor. Ficamos ali no hotel porque tinha muito tempo pro trem. E no hotel tinha wifi, haha. Quando chegou a hora de ir a chuva tinha parado. O hotel Andino tem essa política de deixar a mala pro pessoal que vai pra Machu Picchu. Acredito que a maioria faça isso. O café da manhã começa às 5h e quem sai antes das 5h é só avisar na noite anterior que eles fazem um lanche pra levar. Eu achei esse hotel o suficiente. Confortável, arrumadinho, bom preço, no café da manhã tem ovo (o que pra mim basta) e são super atenciosos.

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Bom, pegamos as mochilas e fomos pra estação. São duas empresas que fazem esse trajeto: Peru Rail e Inca Rail. Peguei da Inca Rail porque os horários se encaixaram melhor na minha programação. A ida foi de Ollantaytambo até Águas Calientes e a volta foi até Poroy. Na ida 1h30 e na volta 3h. Prepare-se pra sacolejar. O trem oferece um snack e uma bebida na ida e na volta oferece duas vezes.

Por volta de 19h15 chegamos em Poroy. Muitos táxis disponíveis a saída. Negocie com o motorista. Pra se ter por base um valor em novembro de 2017 não pague mais que 35 soles. O nosso taxista era muito simpático e conhecia bastante de história também. Nos falou sobre sítios arqueológicos que normalmente não fazem parte do turismo. Um dos motivos pra isso é que são lugares perigosos pra levar turista. Tem muito tesouro nessas montanhas ainda. Pra quem tem espírito de aventura venha com calma. Chegamos no hotel e já posso avalia-lo muito bem. A ficha já estava preenchida e as malas que deixamos aqui já estavam no quarto. Gosto dessa eficiência. Pedimos um lanche no quarto, tomei um bom banho e bora descansar. Dia intenso e muito proveitoso!

Publicado por Akemi Nomura 13:56 Arquivado em Peru Comentários (0)

Cusco - 4

Vale Sagrado - parte 2

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Boooommmm diaaaaa!!!! Precisa falar que foi mais um dia acordando de madrugada? A vantagem vai ser voltar pro Brasil já no fuso, rs. Bora levantar, tomar café e ajeitar aa coisas porque hoje é dia de levantar acampamento por uma noite. As coisas já estavam meio encaminhadas e como acordamos cedo fomos tomar café cedo. Aqui o café da manhã é das 5h às 9h da manhã. Depois foi só fechar as coisas e sair pro check out. Deixamos as malas no hotel. Aqui os hotéis estão preparados pra isso uma vez que as pessoas vão pra Aguas Calientes e, em sua maioria, voltam a Cusco para pegar o voo pra ir embora. Os trens também não são preparados pra levar muitas malas. Enfim, mochila nas costas, documentos na bolsa, partiu fechar o Vale Sagrado.

Hoje quem veio nos buscar foi a Azuzena. Mas nosso guia ia ser o Jesus, irmão dela. O trânsito no centro de Cusco estava bem ruim por conta das escolas. Quando conseguimos sair pegamos estrada em direção a Chinchero que fica a 28km do hotel. A primeira observação da Azuzena ao chegar lá era das roupas das mulheres. Saias pretas, casacos vermelhos e chapéus pretos. Quando os chapéus tinham flores brancas significava que a mulher era solteira. E as tranças nos cabelos eram a referência de beleza.

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Chinchero é o local onde o Inca Túpac Yupanqui (filho e sucessor de Pachacute) escolheu para construir seu palácio. Essa aldeia foi mais uma devastada pelos espanhóis no período da colonização. Na feira que acontece aos domingos muitas transações são feitas na base de trocas como na época dos incas. A missa ali é feita em Quechua, dialeto dos Incas. Vai vir a Chinchero se prepare pra subida. Estamos a 3700m de altitude e basta subir alguns degraus pra sentir a falta de ar. Uma observação que Jesus fez foi que o povo andino era baixo e com tórax largo pois os pulmões eram maiores, ou seja, evolução da espécie. E fomos subindo e parando até chegar na praça onde as mulheres vendiam “artesanato”. Não tinha muita gente ainda porque as excursões saem mais tarde.

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Nas paredes das casas podemos ver na sua fundação as bases da arquitetura inca. Subimos mais escadas e chegamos na igreja. As pinturas tinham as características da escola cusquenha. Os quadros feitos pelos indígenas que construíram a cidade tinham sinais da cultura inca. No altar não podia faltar o ouro.

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A vista das montanhas era sensacional. Chinchero proporcionava uma eterna vigilância do Vale Sagrado. Os vários terraços de agricultura não eram diferente dos demais que tínhamos visto. Ao longe pudemos avistar outros terraços já encobertos pela natureza restando apenas algumas “linhas” nas montanhas indicando onde eles ficavam. Por um lado é uma pena ver essa parte da história desaparecer. Por outro é interessante ver a força da natureza agindo. Fico imaginando a quantidade de história que as montanhas ainda escondem.

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Chinchero é o centro de tecelagem de Cusco. Aqui existem alguns ateliês onde as mulheres demonstram como produzem seus trabalhos desde o início. Um showzinho pra turistas, é verdade. Mas o trabalho é real. Ela mostrou o processo de lavagem das lãs usando uma raiz que ralada vira uma espécie de sabão. E fez na nossa frente o que ela chamou de magia da natureza. Também mostrou como extraíam de várias folhas, raízes e sementes as cores que tingiam as lãs. Mostraram como faziam os fios de lã e, claro, como produziam as peças manualmente. Por fim nos mostravam seus produtos à venda. Sim, dava pra ver a diferença dos produtos dali para os produtos à venda nas feirinhas. Uma dica, se não for comprar nada, deixe uma gorjeta pela aula de artesanato. Não foi meu caso pois eu comprei pashminas, hehe.

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As mulheres tecelãs criavam porquinho da índia para consumo, o famoso cuy. Tão fofinhos... não ia conseguir comer...

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Como a ida foi subida, a volta foi o paraíso, hahaha. Era hora de ir pra estrada de novo. Mais 28km de estrada, sendo boa parte de terra, e estávamos em Moray. Tinha um pouquinho de emoção pra chegar lá porque a estrada era estreita e uma grande ribanceira do lado. Em Moray já chegamos na parte de cima dos terraços. O ponto mais importante de Moray são seus três terraços circulares que até hoje arqueólogos divergem sobre sua finalidade. Umas das teorias era de que essas ruínas eram um grande anfiteatro. Mas o mais provável é que representava um local para agricultura. Sinais como os pontos de irrigação ajudaram a comprovar isso. Existe uma teria de que cada nível tinha um clima diferente provocada pela profundidade do local e a forma que o sol e o vento atingiam cada andar. A diferença entre o ponto mais baixo e mais alto chegava a 15 graus o que permitia plantar vários tipos de alimento. Moray foi uma espécie de laboratório de produção agrícola Inca. Ah, ainda tem a galera alternativa que vem fazer homenagens à Pacha Mama uma vez que os Incas consideravam Moray o umbigo do mundo.

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Mais 15km por estrada de terra e chegamos às salineras de Maras. Alguns dizem que ali tem 3 mil piscinas, outros dizem 5 mil, os guias então fixam em 4 mil salinas com mais de 2 mil anos de existência onde famílias ainda tiram seu sustento utilizando técnicas antigas. A água salgada vem das montanhas e escorre por valetas num sistema que abastece cada uma dessas salinas. Para se ter uma ideia a vazão para enchimento das piscinas é feita com uma pedra. Depois é só esperar a água evaporar e extrair o sal. Essas águas vêm do degelo dos picos mas quando entram nos canais subterrâneos da montanha carregam os sais ali presentes. Isso se explica porque naquela região no período pré histórico era mar. A água que desce das montanhas é quente e bem salgada (experimentamos). As piscinas estavam escuras por conta das chuvas. Depois de colhido o sal ele é ensacado e colocado em armazéns para tirar a umidade e depois é iodado pro consumo. Claro que no final tinham lojinhas vendendo os vários tipos de sal e produtos afins. E claro que nós compramos. Só esquecemos que estávamos indo pra Machu Picchu de mochila e teríamos que carregar, haha.

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Estrada de novo... Mais 35km entre subidas em estrada de terra estreita, ovelhas atravessando a estrada e voltamos pra estrada asfaltada. Passamos por um hotel que eu JAMAIS me hospedaria. Parecem capsulas de vidro presas nas paredes da montanha. Pra chegar lá? É só escalar!!! Gezuis amado, e tem gente que paga pra isso, haha. Eu teria que ser muito bem paga.

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Enfim, chegamos a Ollantaytambo. Simpático o lugar. Tinha uma ruazinha inca original ainda. Uma rua cheia de lojinhas e restaurantes. A praça muito fofa. Aquela explosão de cores dos produtos vendidos no local. Um charme, gostei. O complexo de ruínas aqui é muito grande. Vão desde grandes sistemas de irrigação a templos e áreas de observação astronômica. Ali também era propriedade do Imperador Pachacuti que construiu um complexo militar, administrativo, religioso e agrícola.

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Aí chegamos numa praça onde vi as ruínas e pessoas subindo uma escadaria enooooorme. Meio que não achava que a gente ia subir aquilo. Além de serem degraus extremamente irregulares, a falta de oxigênio tornava tudo muito mais difícil. Mas a gente ia subir sim e não precisou muito pra cansar. Mas fomos, sobe um pouquinho, para um pouquinho, Jesus ia nos explicando algumas coisas. Na montanha da frente enxergávamos alguns armazéns beeeeem altos. Os alimentos produzidos eram ali estocados. Mano do céu, eu só conseguia me perguntar como eles conseguiam. Do lado de um dos armazéns havia uma formação rochosa que parecia com um rosto.

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Continuando a subida tinha hora que eu via umas pessoas passando que meio que me desafiavam, tipo, se elas conseguem eu tenho que conseguir, hehe. Mas acho que meu desafio maior era o medo de altura. Essa parte foi tensa! Mais uma parada e Jesus nos explicou que Ollantay, como é chamada a cidade, tinha o formato do milho. Era meio difícil imaginar. Num primeiro momento eu acreditei mas não vi milho nenhum. Depois ele mostrou uma imagem em um livro que ficou mais fácil entender. E vamos subindo até chegar na parte dos templos. A arquitetura sofisticada indicavam isso. Pedras mais lisas e melhor acabadas contrastavam com a irregularidade da parte militar. Subimos pela parte de trás e chegamos no templo do Deus Sol onde pessoas alternativas meditavam. Pedras enormes pesando toneladas que vinha de uma montanha a 30km dali. E eu reclamando das compras que eu tinha que carregar, hehe.

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Agora gente, e a vista do Vale? O que que era aquilo. Pensava naquele avião do time de rugby que caiu nos Andes chilenos e como aqueles dois moleques conseguiram atravessar aquelas montanhas daquele tamanho só que com neve. Onde estávamos não nevava mas nos picos a 5000m de altura tinha neve. O que tornava a vista mais exuberante contrastando com o verde das montanhas.

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Continuamos até a parte mais alta onde tinha a parte militar. Nem acreditei que tínhamos chegado no alto. A vista da cidade era sensacional. E o desafio de chegar lá tornava mais sensacional ainda. Ah, claro, a energia do lugar era indescritível. Jesus nos explicou que os postos de controle no alto da montanha e no vale se comunicavam com sinais, por exemplo, metais que brilham no sol.

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Aí veio mais um desafio, só que pra mim. Seguir por uma trilha na parte alta da montanha sendo que alguns trechos eram extremamente estreitos (e bem na parte mais alta). Jesus ainda brincou que se caísse seria um sacrifício pro Deus Sol, haha. Idiooooota!!!!! Hahahaha... Bom, apertei o fo**-** e fui. Fui me agarrando nas pedras mas fui. Não tive muito tempo pra decidir porque começava a pingar umas gotinhas e a chuva ia tornar esse caminho perigoso. Mas só soube disso depois, haha. Na parte mais tensa tinham uns homens trabalhando e ver pessoas nesses lugares aumenta minha fobia. Eu andava olhando o chão ou os muros, mas nunca pra beira da ribanceira. Depois a trilha ficou mais larga e eu fiquei mais calma, haha. Mas foi tenso!!!!

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Do outro lado tinham terraços agrícolas e uma parte da cidade destruída. A descida foi chata porque os degraus eram muito irregulares. Não só pela altura mas pelas pedras também. Pra pisar de mal jeito eram dois palitos. Mas chegamos na parte baixa. Fomos no templo da água onde tinha uma janela ao fundo. Na montanha da frente víamos um perfil de uma pessoa. Um determinado dia do ano (acho que 21 de junho) o sol batia na montanha e para os incas a vista daquela janela significava a junção dos quatro elementos da natureza: o sol era o fogo, a água do templo, a sombra da pedra produzida pelo ar e a terra dentro do templo.

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Acabamos nossa visita no Vale Sagrado. Ollantaytambo deve ficar pro final mesmo porque até agora foi o templo mais grandioso que visitamos. Agora só nos resta Machu Picchu. Azuzena e Jesus nos orientaram para o trem de ida a Águas Calientes e para volta pra Cusco. Já deixaram fechado um guia pra Machu Picchu e nos deixaram na praça pra almoçar. A comida aqui foi fraquinha mas estava gostoso ficar na janela tendo a vista da praça.

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Depois fomos andando até a estação. Troquei o voucher pelo bilhete de trem e fomos pra plataforma. Escolhi ir pela Inca Rail pra poder ficar 1h mais tranquila e porque foi mais fácil e menos caro combinar a volta indo até Poroy. A passagem não é nada barata. Foi cerca de US$150 ida e volta por pessoa. O trem é confortável e oferece um snack e uma bebida. O trem balança demais e é ruim pra dormir. Por outro lado não se perde detalhes da viagem e das montanhas espetaculares das cordilheiras.

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Chegamos em Aguas Calientes às 18h. Aguas Calientes é o povoado de onde partem os ônibus para Machu Picchu. É um local mais “roots”. Mesmo quem não vai dormir aqui tem que passar por aqui para ir pra Machu Picchu. Ou seja, desapega. O local também é conhecido como Machu Picchu Pueblo e vive basicamente em torno do turismo. O local nasceu como um ponto de parada dos andarilhos que buscavam alcançar Machu Picchu e precisavam descansar antes de terminar a jornada. O que tem para fazer? Nada! É apenas para dormir e pegar o ônibus bem cedinho no dia seguinte para Machu Picchu. Mas achei bem estruturado. Na verdade me surpreendeu. Vários restaurantes bonitinhos, lojinhas, mercadinhos, feirinha.

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Tem hotel pra todos os gostos. Por uma noite eu precisava apenas de um pouquinho de conforto por um bom preço. Escolhi o hotel Andino. E gostei viu? Simples, confortável, fácil acesso... valeu. Fomos no mercadinho ao lado comprar um queijinho pra comer com o pão e esperar o guia pra combinar as coisas. Definimos não sair muito cedo. Essa época é baixa temporada e está mais tranquilo. Hora de descansar! A seguir as flores do dia...

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Publicado por Akemi Nomura 18:55 Arquivado em Peru Comentários (0)

Cusco - 3

Vale Sul

rain 14 °C
Visualizar 2017 Peru no mapa de viagens de Akemi Nomura.

Vamos lá povo, domingueira... Acordei às 3h40 mas nem ligo mais. Como o Brasil está três horas a frente é como se estivesse acordando às 6h40, então tá bom né? Mamãe esta a mais preguiçosa hoje. Fomos tomar café eram 6h40. Hoje o Juan ia nos buscar às 8h, então tava de boa. A novidade de hoje era a chuva. Estava fininha e contínua. Hoje a capa e o tênis impermeáveis seriam colocados à prova.

Juan chegou às 8h. Estávamos meio sonolentas mas esperando na porta. Pegamos caminho da primeira parada: Tipón. Juan já avisou que hoje ia ter subida. Só de carro já era uma senhora subida. Acho que sem o Juan não faríamos metade do que estamos fazendo. No caminho ele chamou a atenção para um carro com uns enfeites de flores. Ele disse que era um batismo de carro. Quando a pessoa compra um carro não necessariamente novo ela enfeita e leva numa igreja pra ser abençoado.

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Bom, chegamos em Tipón. A entrada é com o bilhete turístico. Já falei dele? Bom, você paga 130 soles por ele e tem acesso a vários locais. Hoje com a chuva tínhamos que tomar cuidado com o barro. Tipón é mais um centro cerimonial inca. Na entrada tem a pucara que já expliquei ontem. Aí tem os terraços agrícolas. Uma grande praça para cerimônias no começo estava sendo utilizada por três cachorros para brincar, haha.

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Nós fomos subindo pela trilha inca. Gente, essa trilha é uma coisa de louco. Elas se espalharam pelos 6 países, são mais de 60 mil metros quadrados de trilha. Na trilha entre Cusco e Pisac levavam 3 dias pra percorrer. Os mensageiros faziam em 24 horas porque faziam correndo. Correndo! Eu mal consigo subir andando. Juan disse que eram jovens com preparo físico. Pra usar essas trilhas era cobrado pedágio e o pagamento era por meio de produtos que produziam. Para os incas o ouro e prata não tinham valor monetário, apenas espiritual. Impossível não relacionar o império inca com o império romano. De longe eu vi umas pessoas no alto da montanha descendo a trilha. Juan nos explicou que os povos que vivem ali ainda usam essas trilhas. Puxei o zoom pra ver porque não estava acreditando.

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Como toda cidade inca tinha, além das pucaras, os armazéns. Também tinha a casa dos sacerdotes. Essa parte estava restaurada sendo só a base original. A energia da montanha era algo sensacional. Fizemos dois rituais em dois pontos do sítio. Em um deles você molha a mão em um determinado aqueduto, passa a mão na cabeça três vezes e faz três pedidos. No segundo pegamos três flores e num determinado subir sopramos as flores três vezes e oferecemos para Pachamama e fazemos três pedidos novamente.

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Falando de água não tem como não reparar no aqueduto. As águas descem dos gelos e lagos das montanhas até hoje. No templo da água você vê os símbolos da cultura inca como os quatro elementos da natureza e a dualidade sol/lua, homem/mulher. A engenharia do negócio é muito legal. Tem uma parte que mostrar uma espécie de chicane pra que a água que desce perca velocidade e escorra de forma mais suave. E gente, funciona até hoje. Água potável constante. Sensacional! Eu me amarrava na engenharia dos romanos mas não tinha noção da capacidade dos incas.

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Juan nos contou uma história interessante. Já tinha visto na catedral, ou melhor, nas catacumbas do templo do triunfo, estavam as cinzas de Inca Garcilaso de la Vega. Não tinha entendido a importância dele pra estar nas catacumbas da catedral. Tinha até uma placa falando que os reis da Espanha trouxeram as cinzas pra cidade em 1978. Esse cara era um mestiço filho de pai espanhol e mãe inca. Sua mãe era sobrinha do antepenúltimo imperador inca. Garcilaso cresceu com a família da mãe e conhecia tudo sobre as tradições incas. Aos 21 anos ele foi estudar na Espanha e mais tarde escreveu “Comentários Reais dos Incas”. Nessa obra ele registrou tudo o que conheceu quando viveu dentro da cultura inca.

Saindo dali fomos conhecer outra cultura no sítio de Pikillacta. Os waris quando chegaram na região já encontraram ali outros povos. Os primeiros que habitavam a região eram os lucre (não tenha certeza se escreve assim). Os terraços de agricultura dos lucres datam de 1500 AC. Conseguimos ver os terraços de onde estávamos.

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A montanha onde se estabeleceram os waris não tinha terra boa pra agricultura mas foi onde os que já estavam lá permitiram. Ali tinham seus armazéns, espaços para cerimônia, casa dos sacerdotes, enfim, toda uma estrutura dentro das muralhas. Os waris se juntaram a outros povos conquistados pelos incas com a intenção de tomar suas terras e toda estrutura já existente lá. Isso enfraqueceu o império inca. No local haviam começado alguns trabalhos arqueológicos. Juan disse que todos os meses os guias registrados da cidade fazem atualização pois as descobertas arqueológicas são constantes.

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Dali passamos por uma grande muralha chamada Rumilcolca. Essa muralha nada mais é que uma pucara, ou seja, um posto de segurança. Era a porta de entrada das terras sagradas dos incas, por isso a imponência do lugar.

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Uma parada pra ver um mapinha e ter a noção do tamanho do império inca.

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Fomos pra última parada do dia: Andahuaylillas. É um vilarejo que atrai a atenção por conta de sua igreja, patrimônio cultural de Cusco. A entrada custa 15 soles mas.... estava tendo missa. Sabe o que isso significa? Você simplesmente entra. Lembro de ter feito isso na Espanha. Quer entrar numa igreja sem pagar? Chegue na hora da missa, haha. Lá dentro não pode tirar fotos mas garanto que é linda. Agora a quantidade de ouro principalmente no altar era absurdo. As telas retratavam a forma que os espanhóis tentavam evangelizar os incas. Ali existia um templo inca que foi destruído para construção da igreja. É uma tentativa dos espanhóis se imporem frente aos incas que, mesmo obrigados a construir obras para os espanhóis, deixavam sua marca com algum símbolo que representasse sua cultura. Na porta da igreja, por exemplo, você vê três cruzes que representam a triologia inca.

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A chuva não nos deixou mas não nos atrapalhou também. Voltamos pra Cusco e no caminho continuei encantada por aquelas montanhas. Que coisa mais linda. Passamos por um povoado que faz um tipo de pão muito conhecido por aqui. Você passa de carro e vê meninas (crianças mesmo) com sacos de pão pra vender pros carros que passam. E vários terraços continuam aparecendo no caminho.

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Na chegada em Cusco tem um monumento pra Pacachute, a figura mais lendária do império inca. Antes de Pacachute os incas se reservavam às suas terras. Com a aproximação dos canchas que queria dominar a cidade o então imperador, pai de
Cusi Yupanqui, fugiu com dois de seus filhos. Foi então que Cusi Yupanqui assume a defesa da cidade. Resumindo, expulsou os invasores e assumiu o reino como Pacachute. Foi ele que, junto com seus filhos, expandiu o império para seis países em 80 anos. Em sua maioria as conquistas foram sem guerras, apenas com diplomacia. Os incas levavam sua tecnologia e seu conhecimento pra esses povos. É definitivamente um dos nomes mais importantes da história inca.

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Ficamos no hotel pra descansar um pouco, ou seja, dormir. Por volta das 14h comecei a organizar minhas coisas. Lá pelas 15h saímos e fomos andando pela rua debaixo do hotel. Ali fica o mercado São Pedro que fomos ontem, a igreja de São Pedro e a estação de... São Pedro! Uns 20anos atrás saía trem dali direto pra Águas Calientes.

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Seguindo na mesma rua vem a igreja de Santa Clara e em seguida um portal que eu não faço ideia do significado, hehe.

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Hoje eu fui observando os estilos das casas, suas sacadas, suas fachadas. Tem todo um charme na velharia.

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Seguindo na rua chegamos na Plaza San Francisco onde fica a igreja... adivinha? San Francisco! Muito bem. Ali tem uns restaurantes bonitinhos. Não entramos em nenhuma dessas igrejas. Tem hora que cansa. Na praça estava tendo uma apresentação de dois caras fazendo palhaçada. Seguimos...

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Plaza de Aramas pra trocar dinheiro. O almoço hoje ia ser no Per.UK. Esse restaurante está muito bem avaliado no Tripadvisor. Gente, a comida estava deliciosa, ambiente super agradável mas... já falei que a digestão aqui é lenta? Não devia ter comido. O prato nem era tão grande assim mas não aguentei comer metade. Mamãe também. E saímos de lá com a sensação de ter comido um boi. Gente, muito estranho isso. Se bem que por outro lado aqui é fácil fazer dieta, haha. Mas hoje eu saí realmente mal. Não gosto de me sentir assim, sabe, a gente perde o prazer da refeição. Mas eu já estava 5h sem comer, eu comi pra não ficar com fome. E não aguentei. Acho que agora só amanhã. Jejum intermitente, haha.

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Saímos nos arrastando e resolvemos lassar pelo Museu Regional de Arqueologia. Pra minha surpresa o local que fica o museu foi casa de Inca Garcilaso de la Vega. A entrada é com o boleto turístico. No começo me decepcionai um pouco. Era uma exposição de pré história. Depois tudo fez sentido. Em poucas salas eles contaram toda a história da região desde a pré história até a chegada dos espanhóis. Na parte dos incas mostrava uma coisa que o Juan tinha nos falado e acho que não comentei. Cusco era conhecida como a cidade do Puma. Sua praça era o corpo, a cauda era a junção de dois rios e a cabeça era o templo de Sacsayhuman.

Na parte das obras sacras foi possível identificar vários sinais da relação espanhóis x incas. Uma parte era obviamente dedicada a Garcilaso e uma parte me chamou a atenção. Na volta do tour passamos por uma placa de rua que chamava Tupac Amaru. Esse nome não me era estranho. Juan tinha me explicado que Tupac Amaru foi um mestiço que liderou a resistência contra os espanhóis. Ele foi uma espécie de Tiradentes. Inclusive foi preso e executado na Plaza de Armas. Seu corpo foi esquartejado com o uso de quatro cavalos e sua cabeça foi exposta nos vários povoados. Sua família também foi assassinada. No museu tinha uma sala dedicada a ele. Tupac Amaru é sinônimo de liberdade.

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Andar nesse museu foi bom pra me sentir melhor depois de ter a sensação de ter comido um boi. Voltamos andando devagarzinho direto pro hotel. Precisamos deixar as coisas organizadas porque amanhã levantamos acampamento por uma noite.

Uma das coisas que eu achei mega interessante é a força da cultura inca que ainda existe na região. Inclusive Francisco Pizarro, o conquistador, não é bem visto pois ele é o resumo de todas as atrocidades cometidas pelos espanhóis. Até hoje o idioma Qechua é ensinado nas escolas e faculdades. Existe um orgulho muito grande da descendência inca. Não é pra menos, afinal, era um povo mega evoluído. Acho que só vi uma relação parecida com seus antepassados quando fui na Nova Zelândia. Acho muito maneiro quando uma determinada cultura mostra sua força e tantos anos depois não se perde.

Publicado por Akemi Nomura 17:15 Arquivado em Peru Comentários (0)

Cusco - 2

Vale Sagrado - norte

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Visualizar 2017 Peru no mapa de viagens de Akemi Nomura.

Bom dia povo!!!!! A vida começou cedo por aqui. Às 4h da manhã acordada e às 5h30 tomando café. A gente só ia sair às 7h30 mas acordamos cedo mesmo assim. Café da manhã low carb high fat, como deve ser. Agora deixa eu falar uma coisa sobre aquele “artesanato” de ontem. Gente, aquilo não é artesanato nem aqui nem na China. Ou melhor, é na China porque é tudo “made in China”. Li blogs falando dessas feirinhas, que eram ótimas e tal, fazendo até comparação entre elas... bobagem.. Se quiser comprar algo realmente artesanal fuja dessas feirinhas espalhadas por todos os cantos. Pesquise bem que você encontra algo de qualidade e preço justo. Vá nos lugares que você vê fazendo o produto e tenha bom senso. Se você acha que vai pagar 80 soles numa blusa de Alpaca está muito enganado

Bom, bora começar o dia. O Juan passou pra nos pegar às 7h30. Juan é um guia profissional que faz passeios privados além do transfer na chegada e na saída. Vi recomendações dele em outros blogs e decidi fechar com ele por três dias. No final eu faço uma avaliação e deixo o contato dele. Fomos para o norte de Cusco e paramos num mirante para ver o Vale Sagrado. Gente, que lugar maravilhoso e que paz que transmite.

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No caminho passamos por povoados e o Juan nos mostrou que no alto das casas uma imagem com dois touros e uma cruz. Significa proteção. E a escada na imagem é para o caso de morte a alma subir para o céu.

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Dali fomos para Pisac. A entrada é com o boleto turístico que você pode adquirir lá mesmo. Custa 130 soles e dá direito a entrar em vários locais. Pisac é daqueles lugares que foram construídos com mil e uma utilidades. Parte era cidade, parte era complexo militar, parte era centro cerimonial e parte era para observação astronômica. Ali é possível avistar o Templo do Sol, o Templo da Lua e as terraças de agricultura. Juan nos disse que na cidade sagrada só a elite entrava, o povo só entrava para trabalhar. Ele nos explicou que os Incas conquistaram povos em seis países, mais de 15 milhões de pessoas, em 80 anos e sua maioria foi com diplomacia, sem guerras. Difícil escrever tudo que ele disse aqui mas vou tentar colocar um pouco.

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Na foto abaixo mostra o aqueduto que ainda recebe água potável do alto das montanhas. Até os aquedutos tinham sinais dos quatro ele,ontos na natureza: água, fogo, terra e ar.

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Na foto abaixo mostra como eram as pedras usadas na construção das cidades incas. Juan resumiu dizendo que eram como legos. As pedras eram trabalhadas de forma a ter encaixes e passar os aquedutos. Inclusive essa forma de construção era a prova de abalos sísmicos. Interessante né?

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Na parte de trás tinham nas montanhas vários buracos. Era um cemitério inca. Havia ali mais de 4 mil múmias que foram saqueadas pelos espanhóis por conta do ouro e prata que eram enterrados. Era o maior cemitério inca já encontrado.

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Saindo de lá fizemos uma parada no povoado de Pisac. Essa região tem muita prata mas tem que tomar cuidado porque o que é vendido na cidade nem sempre é prata mesmo. A moça explicou pra gente lá que a prata pura não é possível de ser trabalhada por conta da rigidez do material, por isso colocam 5% de cobre. As peças lá eram belíssimas. E gente, eu amo prata. Depois que minha irmã me convenceu que prata era melhor pra mim eu não larguei mais. Comprei um brinquinho cujo desenho simbolizava “Patachamama”, a mãe terra, que tem forte influência na religião inca.

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No caminho pro próximo sítio paramos para foto clássica com os bichinho.

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Fomos para o Templo das Águas chamado Tambomachay. Aqui são 3800 metros de altitude, ou seja, o bicho pega. É um senhor desafio. A subidinha se torna uma subidona. Gente, fui subindo devagarzinho, achava que o Juan andava rápido mas não, estava difícil mesmo. A água ali é potável e vem das geleiras e lagos do alto das montanhas. Os incas se fortaleceram nessa região porque encontraram o cenário perfeito pra agricultura com água o ano todo. A canalização das águas e a forma como construíram os aquedutos é impressionante.

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Na saída não pude deixar de registrar a flor nacional do Peru. Modéstia a parte as fotos ficaram lindas, rs.

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Depois paramos numa Puka Pucara. Bom, Pucaras são pontos de defesa, uma espécie de guarita. Tinham vários espalhados pelo vale sagrado. Mas como os templos os espanhóis também destruíram e usaram suas pedras pra construir igrejas. O termo Puka é por conta da cor da rocha. Essa em que paramos estava “reformada”. Não tinha nada original, uma pena. O Juan disse que quando é original as pedras são encaixadas como lego. Se tem algum material unindo é porque não é original. Dali conseguíamos ver na montanha uma “linha” que é onde tinha uma trilha inca. Esses incas era phodas. Ah, as pucaras serviam também como hospedagem.

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Fomos então para Qenqo. Esse templo fica numa caverna onde aconteciam cerimônias e rituais espirituais. Nas mesas cerimoniais muitos líderes incas eram mumificados. Aliás, utilizavam a mesma técnica que os egípcios. Logo na entrada você vê uma pedra que por dois dias no ano quando o sol bate a sombra tem a forma de um puma, um dos três símbolos da triologia inca. Depois você entra num labirinto onde você vê vários alteres locais onde até hoje colocam folha de coca como oferenda. Símbolos dos elementos da natureza e da triologia estão espalhados por todo o caminho. Na parte interna, meio que uma caverna, é onde mumificavam os líderes e chefes religiosos e onde faziam sacrifício de lhamas negras. Sacrificavam as negras porque as terras negras eram as mais férteis. Ah, incas não sacrificavam humanos!!! Outra coisa, um dos lados do templo tem uma marca na parede de pedra que é como um umbigo. Quando o sol bate alo significa que era hora de começar a plantar. Show né?

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A vista das montanhas desses lugares são incríveis.

Mais uma parada pra terminar o tour de hoje: Saqsayhuaman. É o maior templo da região. Tem três níveis, cada um representando um elemento da triologia inca. Vários sinais desses símbolos se vê ao longo do templo. As pedras pesam cerca de 60 a 70 toneladas. Os incas não deviam em nada aos egípcios em matéria de tecnologia. As pedras seguem o padrão de encaixe, sem argamassa. Mais de 30 mil homens participaram da sua construção. O templo é conhecido como porta do sol, porém, foi com chuva que encerramos nossa visita. A temperatura parece ter caída uns 10 graus. Enrolei a câmera na echarpe e fechei meu casaco até o queixo. Minhas mãos congelavam. Mas sobrevivemos... e voltamos pra Cusco.

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Juan nos deixou no hotel e rolou um descanso. A altitude pega viu? E olha que tem quase dois anos que eu treino com disciplina e emagreci horrores. Fico imaginando esse povo sedentário. Se fosse dois anos atrás eu não aguentava. Coisa de doido. Deu 13h saímos pra almoçar. Estava sol mas o tempo aqui é doido. Primeiro fomos trocar mais um pouco de dinheiro e depois fomos no restaurante La Feria, na Plaza de Armas. Estava bem cotado no tripadvisor mas como fomos no Morena ontem foi meio cruel comparar. A comida é gostosa, o ambiente é bom, mas o Morena é bem melhor. Mas valeu por conhecer um novo restaurante.

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Saímos do restaurante e fomos andar um pouquinho na Plaza de Armas. A vista da Plaza do restaurante já era maneira. A Plaza é linda, as casinhas com suas sacadas estilo espanhol me lembraram Cartagena. A Catedral e a Igreja Companhia de Jesus são belíssimas. Aí começou a chover... fomos pra Catedral.

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A Catedral de Cusco é retangular e para seguir o formato em cruz das igrejas católicas foram construídos dois templos nas laterais: o Templo da Sagrada Família e o Templo do Triunfo. Contratamos um guia lá dentro que explicou muito bem vários detalhes da igreja que fica difícil reproduzir aqui. Mas fica clara a quantidade de ouro roubada dos incas bem como as pedras dos templos incas usadas para levantar suas paredes. É uma parte triste mas faz parte da história, não se pode apagar. Tanto o guia da catedral quanto o da igreja ressaltaram o respeito que os incas tratavam os outros povos e pareceram transmitir uma certa indignação, não sei se essa é a palavra, quanto à forma que os incas foram tratados.

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Saindo da Catedral continuava chovendo. Nos encapotamos com nossos respectivos casacos impermeáveis que funcionaram bem. Outra coisa que funcionou bem foi o tênis impermeável. Pés sequinhos apesar da chuva. Fomos pro Mercado de São Pedro que fica pertinho do hotel. Achei mais legal que o mercado de Surquillo. Tem artesanato, tem lugar pra comer (bem raiz), tem estandes de sucos, tem especiarias, tem farinhas, tem de tudo um pouco. Mas seguindo orientação do Juan fomos atrás do café orgânico e do chocolate. Ele disse que o cacau de Cusco é o melhor do Peru. Não sabia da tradição peruana com o chocolate pois vi várias lojinhas de chocolates artesanais tanto aqui quanto em Lima.

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Saindo do mercado passamos no supermercado do lado do hotel. Compramos água e decidimos voltar para descansar. Acordamos muito cedo e uma noite bem dormida é importante pra um dia produtivo. A recepcionista tinha nos dito que o processo de digestão nas alturas é mais lento. Realmente é. Acabei pedindo uma sopa no quarto só pra não ficar sem comer, mas estava sem fome. Boa noite!

Publicado por Akemi Nomura 18:16 Arquivado em Peru Comentários (0)

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