Um blog do Travellerspoint

Por este autor: Akemi Nomura

Uyuni

Parque Eduardo Avaroa

sunny 10 °C
Visualizar 2019 Atacama e Uyuni no mapa de viagens de Akemi Nomura.

Pra variar acordei antes das 5h. Mas de boa com isso. Levantei, tomei uma ducha num frio de rachar, deixei tudo pronto e deitei para esperar as meninas acordarem. Comecei a arrumar a mesa do café devagar e mamãe estava trocando de roupa. Assim que elas acordaram, começaram a se arrumar e tomamos café ali no quarto.

Às 8h a van veio nos buscar. Éramos só nós quatro. O motorista explicou que ia nos levar até a fronteira e lá íamos trocar de carro. Na Bolívia só é permitido guia boliviano a acho que agência boliviana. Chegamos no controle de fronteira do lado chileno. O dia estava muito bonito. O pano de fundk na janela era o Licancabur. Levamos 1h parados ali pra carimbar a saída no passaporte. Ali eu senti um pouco de falta de ar. Na imigração Rosana perguntou pro funcionário ali que disse que estávamos a 4600! 4600! Novo recorde de altitude. Uma ida ao banheiro ali me sugou um absurdo de energia. Voltei pro carro bufando. Mas aqui não é uma questão de soroche e sim de ar rarefeito mesmo. Cansa muito qualquer esforço.

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Quando chegamos logo antes da entrada do lado boliviano nós descemos da van e fomos pro carro que nos aguardava. Eram vários carros ali, todo mundo saindo da van do lado chileno e indo para os 4x4 da Bolívia. A nossa guia nos aguardava com os papéis de imigração. Fazia muito frio ali. Eu estava com 2 calças, 3 blusas e um casaco grande e morria de frio. Pra se ter uma ideia eu não conseguia preencher o formulário de imigração, a Karen (guia) que preencheu pra mim. Ainda tínhamos que ficar numa fila na imigração naquele frio. A entrada ali tem uma estrutura bem precária. Mas, como diria minha irmã, está tudo bem! Passaporte carimbado e prontas pra aventura.

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Você entende o porque do carro 4x4 quando entra na Bolívia. Diferente do Chile que tinha estrada pavimentada, ali era tour raiz. Literalmente no deserto. Um pouco mais a frente descemos pra preencher os papéis de aduana. Agora sim, bem vindas a Bolívia.

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Logo de cara paramos no Reserva Natural de Fauna Andina Eduardo Avaroa (nome do herói boliviano na guerra do Pacífico). A entrada custa 150 bolivianos. O banheiro ali custava 500 pesos chilenos (não lembro quanto em boliviano). É isso aí, banheiro por aqui é praticamente tudo pago. Separa o dinheiro aí, pode colocar 5 bolivianos por cada parada.

A primeira parada foi na Laguna Blanca. Essa laguna tem uma alta concentração de minerais que causam a cor branca. O legal hoje é que, como fez muito frio na noite anterior, criou-se uma camada de gelo fina. Com o sol nascendo essa camada começou a “trincar” e o vento empurrava o gelo da superfície para as bordas e os pedaços começavam a subir um sobre o outro como se estivessem saindo da água. Não sei explicar direito o que eu vi mas eu curti! Saindo da laguna blanca vimos alguns flamingos.

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Logo ao lado estava a laguna verde. A cor se dá pela alta concentração de minerais mas não me perguntem qual, nunca fui boa em química, rs. Essa laguna nós vimos do alto. Além do céu azul e do Licancabur no fundo, o tom verde da água era lindo. Só não era lindo o vento!

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No caminho cruzamos com uma raposinha. No Chile vimos de relance mas aqui ela veio pertinho do carro. Ela até parou bem do nosso lado.

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A Cordilheira desce única do norte e quando chega na Bolívia ela se “abre” em suas partes e no Chile ela se une de novo. Pra chegar no nosso “alvo” a gente atravessa a Cordilheira oeste e chega na parte “plana”. Dirigimos literalmente no meio do deserto e muitas vezes sem estrada (e de terra), era passando em cima de pedra, dentro de lago, enfim, doidera. Eu achei muito louco como esses caras se orientam no meio do nada. O nosso motorista nasceu em uma comunidade do deserto e deve conhecer esse lugar na palma da mão.

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No caminho uma coisa que me chamou a atenção foram as pedras enormes espalhadas. São pedras piroplásticas fruto de uma explosão de vulcão ocorrida milhares de anos atrás. Elas compõem a paisagem. Uma paisagem fruto dessas explosões vulcânicas foram algumas pedras no meio de algo que parecia uma duna de areia. O dia estava lindo e a imagem parecia uma pintura. A Karen, nossa guia, disse que os turistas apelidaram de Deserto de Dalí pois parecia uma pintura de Salvador Dalí.

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Depois de muito saculejos e paisagens maravilhosas chegamos às termas de Polques. Muitos carros parados ali por conta da piscina termal. Gente, não está só frio, está ventando, e muito. A água quente (entre 30 e 35 graus) é por conta da proximidade de vulcões. Dizem ter muitos minerais que fazem bem à saúde. Mas tá muito frio então não, obrigada! Aqui fizemos a pausa para o almoço. Era um lugarzinho simples, comida simples, mas muito agradável.

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Eu não lembro se já falei isso mas os carros das agências de turismo que fazem esse tour na Bolívia tem permissão pra carregar combustível por motivos óbvios. Ninguém vai querer ficar parado no meio do deserto sem uma alma viva por perto e sem um posto Ipiranga. Saindo do almoço tinha um carro “abastecendo”.

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Eu não lembro se já escrevi sobre o soroche. Agora na hora do almoço Rosana se sentiu mal. Já estava se sentindo mal mas piorou aqui. Claramente a altitude faz muito mal pra ela. Esse mal estar dela é o que chamam de soroche ou mal da montanha. Lá em San Pedro ela já tinha sentido esse mal estar mas aqui como é mais alto atingiu ela pra valer. E é diferente do cansaço pelo ar rarefeito (isso atinge todo mundo). A pessoa pode ter tonteira, enjoo, dor de cabeça, várias coisas que vão além do cansaço físico. E não tem regra, nem sempre é com o mais idoso, nem sempre é com o sedentário, pode ser com qualquer um. Aprendi no Peru a fazer esse processo de aclimatação. Nós fizemos aqui também, descansamos na chegada, tomamos chá de coca, sorochji pill, andamos e respiramos bem devagar, esforço mínimo, mas mesmo assim o mal da montanha pode atingir. Eu imagino a força que ela tá tendo pra aguentar até o fim do dia.

Continuamos o caminho pois estávamos no meio do deserto, não tinha como levar ela pro hotel. Paramos numa região conhecida como Sol da manhã que fica a 4800m de altitude. Sol da manhã já foi um vulcão e hoje é uma extensa cratera vulcânica repleta de gêiseres e fumarolas. Ali podemos ver a lava vulcânica fervendo literalmente. É um lugar perigoso e tem que ir com guia. Caiu ali, meu filho, morreu. É uma coisa muito doida ver o planeta que a gente não vê. O cheiro de enxofre é forte mas suportável.

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Fizemos uma parada que pra mim foi especial. O lugar não era um ponto de visitação propriamente dito, era apenas o ponto mais alto do nosso tour: 5000m. Não imaginei chegar nessa altitude sem passar mal. Era meio que um desafio que eu não podia controlar afinal cada corpo reage de uma forma à altitude. Mas fiquei feliz de estar ali.

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Estamos nós sozinhos no deserto e de repente aparece uma nuvem de poeira lá longe. Era outro carro indo de um canto ao outro e logo sumiu de novo. Muito louco isso!

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Mais uma parada na lagoa colorada. Meu amigo, você não tem ideia do vento que fazia naquele lugar. Eu me desequilibrava fácil. Bom, tá certo que já sou meio desequilibrada, hehe, mas com o vento colaborando ficou difícil. Aqui descemos eu e Gabi. Mamãe ficou no carro com Rosana. A laguna colorada é um lago salgado enorme. Quando a laguna seca um pouco dá pra ver as partes de sal. E essa parte branquinha contrasta com o vermelho da laguna. A água é vermelha devido a uma alga rica em betacaroteno. Quando o sol bate a água fica assim. Ali tem muito flamingo das 3 espécies sendo o que mais tem é o flamingo de James.

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Depois de andar e nos distrair com a paisagem tivemos que subir pra chegar na banheiro. Era uma subida que dava pra cansar ao nível do mar, na altitude então... fomos bem devagar e deu certo, sobrevivemos. Uma lição aprendida no deserto foi de nunca perder a oportunidade de ir al banheiro, haha. Lá de cima dava pra ter outra visão do lago. A gente até ia voltar por cima mas não tava dando. O vento não deixou. Sério mesmo, não dava. A Karen que é pequenininha parecia que ia voar. Descemos e voltamos por baixo que ventava também mas dava pra andar. O engraçado é que na ida a gente estava distraída com a paisagem e não percebeu a distância que andamos. Mas na volta.... não chegava nunca. O vento parecia ter congelado minha boca, haha.

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Achei muito legal esse lance de andar no meio do deserto. Tinha lugar que aparecia uma estradinha, tinha lugar que eram só as marcas dos pneus na terra, tipo, referência zero. Tinha hora que a gente olhava em volta e só tinha a gente. De repente a gente via uma poeira levantada e aparecia um carro indo pra outro canto. Parece que não tem um caminho x a seguir, sabe? Teve uma hora que ele virou e começou a subir umas pedras e eu fiquei me perguntando como ele sabia que era pra virar ali, rs. Esse cara deve conhecer o deserto na palma da mão.

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Passamos então pelo deserto Siloli. Fizemos ali uma última parada na árvore de pedra. As pedras ali pareciam uma escultura. O céu azul compunha a paisagem. Destacada as rochas maiores ficava uma parecida com uma árvore. Foi esculpida pelo vento ao longo dos anos. Uma obra de arte feita pela mãe natureza.

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Saímos do parque finalmente. Dia corrido, né? Pra você ver, eu fechei os passeios todos tanto do Atacama quanto da Bolívia e não tinha ideia de como ia ser. Achei que a gente ia chegar aqui e ia direto pro hotel. Aliás eu nem sabia qual era o hotel que a gente ia ficar. Só lá no começo do tour a Karen explicou que seriam dois hotéis. Dirigimos um bom pedaço no meio do deserto até que bem longe dava pra ver uma construção. Gente, a Karen tinha dito que era no deserto mas não sei porque imaginava outra coisa. Na minha cabeça eu via uma estrada e um hotel e mais nada perto. Sabe quando a gente chama um lugar de deserto? Aqui era no sentido literal da palavra.

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Chegamos no hotel da rede Tayka. Esse é um hotel ecológico. Eles usam painel solar e por conta disso tinham restrições em relação ao uso de energia. Tomadas, por exemplo, só funcionam das 18h às 22h. Banho quente? Idem. Wifi? Idem. Cheguei a conectar no wifi mas desisti. Era bem ruim. Também não podia esperar nada no meio do deserto. Mas tudo bem, eu estava tão cansada que desencanei. Fomos tomar banho assim que deu 18h porque às 19h era o jantar.

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Fui chamar as meninas para jantar e a Rosana disse que estava com muito frio. Peguei o termômetro pra ela e, ainda bem, não era febre. Ela foi pro restaurante mas não se sentia nada bem. A Karen saiu com ela para recepção onde deram um remédio e ela foi deitar. Levaram a sopa pra ela e ela fez uns dez minutos de oxigênio pra ver se melhorava.

A gente jantou uma comidinha leve tipo sopa de entrada e frango de prato principal. Depois fomos direto ver ela. A cara não estava boa. Ela disse que depois de comer voltou tudo. A Karen disse pra ela fazer esforço mínimo. Um pouco depois ela ficou mais um pouco no oxigênio e melhorou.

Eu estava tão cansada que não eram 21h eu deitei. Estava quase dormindo quando bateram na porta do quarto. O cara do hotel trouxe bolsa de água quente pra colocar embaixo da coberta. Levantei, peguei a bolsa, coloquei embaixo da colcha da mamãe e ela nem percebeu, já estava apagada. Coloquei uma bolsa embaixo da minha coberta e me enfiei ali. Era tanta coberta que até pesava. Mas dormi rapidinho por volta das 21h.

Publicado por Akemi Nomura 03:16 Arquivado em Bolívia Comentários (0)

Atacama

Dia 4

sunny 10 °C
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4h24

Bom, vou começar antes falando do Licancabur. A gente consegue ver ele de quase todos os cantos que visitamos. De SPA a gente vê de todo lugar. O Chile tem 2600 vulcões dos quais 160 ainda ativos. O Licancabur chama a atenção na cidade. Ele fica na divisa entre Bolivia e Chile. Ontem perguntaram pro Daniel se podia subir este vulcão (tem passeio com subida em vulcão) e ele disse que sim, só que pelo lado boliviano. O lado chileno ainda tem minas terrestres de um período tenso. Ainda hoje encontram minas lá. Louco, né?

Eu gostei tanto desse vulcão que parti em busca de mais informações. Achei uma lenda sobre ele. Quem chega em SPA identifica esse vulcão facilmente. Do lado dele tem um menor e descabeçado chamado Juriques. No espaço entre eles teria existido um vulcão chamado Quimal e seria uma dama. Juriques era apaixonado por Quimal. Mas foi Licancabur que Quimal escolheu. Juriques ainda tinha que suportar Licancabur ser o favorito do povo e de seu pai Lascar. Assim, tentou “pegar” Quimal a força. Os irmãos vulcões começam uma briga épica bagunçando todo o equilíbrio da região. Alguns desfiladeiros seriam fruto dessa briga. Aí Lascar, o vulcão pai, afastou Quimal dali e cortou a cabeça de Juriques. Outra versão diz que Licancabur teria cortado a cabeça de Juriques e Lascar, o pai, ficou bravo e afastou Quimal dali. A segunda faz mais sentido. Não, nenhuma faz sentido, haha. Vulcão brigando... tiraram de onde isso gente?

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4h24 da manhã. Acho que sonhei que o alarme estava despertando porque eu tinha certeza que acordei com alarme só que quando olhei o celular eram 4h24 da manhã. Terminei meu post de ontem e pronto! Deu umas 5h30 eu levantei e troquei de roupa. Café da manhã garantido e estávamos prontas no horário pois fomos as primeiras todos os dias. Hoje fugiu a regra e fomos a terceira parada. Ainda parou pra pegar mais uma menina e pronto, partiu lagunas altiplanicas.

No caminho fizemos duas pausas. A primeira foi quando avistamos um falcão peregrino. Esse falcão é uma ave de rapina diurna. É considerado o animal mais veloz do mundo podendo atingir 350 km/h. A segunda foi o vizcacha. Eu descreveria como um coelho verde mas parece que ele é da família das chinchilas. E estava lá de boas tomando um solzinho da manhã.

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Quando a gente nos aproximamos da região de Socaire a gente percebe que a paisagem muda. Ali apareciam montanhas ainda com neve. O cenário ali era de cair o queixo. A lagoa, o sol nascendo, as montanhas, tudo lindo. O banheiro era estilo “inca”, ou seja, era no matinho mesmo, haha. Tenso!

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Frio? Temos!

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A primeira parada foi na Laguna Tuyajto. Eram uns 150km de distância mas a estrada é boa. Tirando poucos pedaços de terra era tudo asfaltado. Mas mesmo a parte de terra era bem plana. A primeira dificuldade foi sair da van. Muito frio, ou melhor, muito vento. Essa laguna fica a uns 4100m de altitude. A temperatura era em torno de 12 graus. Mas o vento jogava a sensação térmica lá no chão e além de ficar desconfortável. Mas aguentamos porque a paisagem era magnífica. E aqui mesmo fizemos nosso café da manhã do passeio.

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Umas fotinhas do caminho:

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Seguindo fomos até o Mirante do Salar de Tara, também conhecido como Piedras Rojas. Lá de cima dava pra ver alguns Flamingos se alimentando. Sabe o vento da Laguba Tuyajto? Ali ficou pior. Era uma subida leve porém longa. Já tentaram subir a uma altitude de mais de 4000m? Tenso! Chegando lá em cima o vento estava absurdamente absurdo. O vento me empurrava cara. Eu tive dificuldade de tirar foto do flamingo porque não consegui estabilizar a câmera com zoom total. Também curti essa parada (tirando o vento).

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Depois fomos para o ponto alto (literalmente) do passeio. Estávamos a 4300m de altitude, o mesmo que os gêiseres. O vento ali não incomodava muito. A entrada custa 3000 para adulto e 2500 para idoso. A regra é nunca sair da trilha. Os índios ali não são muito amigáveis. Tive um pequeno entrevero no fila do banheiro. Uma italiana cismou que estava atrás da mamãe na fila só que não estava porque eu tinha chegado junto. E ficou do meu lado meio que forçando a barra. A solução? Entramos eu, Rosana e mamãe juntas. Hahahaha... Nem precisei bater boca com ela pra deixar ela com raiva. Quando saímos eles (a cretina e mais uma mulher e um homem) ficaram reclamando em italiano. Aí eu fofa soltei um “vada a merda, cazzo”. Desculpa pessoal mas eu estava sem paciência pra gente folgada. Enfim, novo parágrafo pra contar do lugar.

Milhões de anos atrás as águas do alto da cordilheira escorriam livremente na frente dos vulcões Miscanti e Miñiques, seguindo para o Salar de Atacama. Só que menos de um milhão de anos (outro dia) o vulcão Miñiques interrompeu o avanço das águas que começaram a estancar ali devido à mudança geomorfológica da região. Surgiam assim as lagunas que levam os nomes dos vulcões. O caminho que fizemos era só descida. Foi bem tranquilo mesmo com a altitude. Acho que foi o cenário mais bonito que vimos até agora. O vulcão com um pouco de neve ainda, o lago de cores claras, as cordilheiras ao redor, acho que foto nenhuma vai conseguir mostrar o que a gente viu aqui.

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Tive uma certa dificuldade de escolher as fotos. Deve ter dado pra perceber:

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Deixa eu separar mais um bloquinho de fotos.

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Depois da caminhada fomos pra van e fomos até a lagoa ao lado. Era a pequena Miñiques. Também produziu fotos lindas.

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Fizemos uma parada na estrada infinita. Era um cenário muito singular. Parecia estrada de filme e no fundo uma montanha que completava o cenário. São fotos clássicas pra quem vem ao Atacama. E essa época está muito bonito pois está um intermediário entre verão e inverno. Ainda estava frio mas já dava pra descer sem luva e cachecol.

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Por fim fomos até a linha do Trópico de Capricórnio. Paramos pra tirar foto na placa e por ali mesmo almoçando. Eu nunca que ia imaginar que um dia iria almoçar no meio do deserto do Atacama. Realmente uma experiência única!

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Fim de festa. A parte do Atacama acaba aqui. A parte contratada com a Araya Atacama não acaba ainda. Os passeios são caros mas até agora a Araya ofereceu um excelente serviço com um bom preço. Como ainda não acabou a parte dela deixa que eu avalio depois.

Voltamos pra casa e ficamos de bobeira batendo papo. A orelha de alguém deve ter ardido porque foi assunto por um bom tempo, hehehe. Daí foi lavar o cabelo, organizar as coisas, acompanhar na TV como andam as coisas em Santiago. Engraçado que quando eu e Gabi fomos trocar mais dinheiro nós vimos um grupo de estudantes gritando algo que não entendemos. Desconfiamos que era algo sobre passagem de ônibus. Gabi ainda falou pra eles não fazerem isso porque isso aconteceu no Brasil em 2013 e pode não ser bom. Não é que aconteceu isso? Começou com preço da passagem do metrô e a coisa desandou. Fecharam até o aeroporto internacional. O aeroporto de Calama já está sofrendo as consequências e cancelando passagens. Então espero que até quinta isso se resolva.

Brinquei um pouquinho com o drone hoje a tarde. Rosana estava assistindo novela, mamãe no celular e Gabi no banho, fui dar uma volta na quadra. Um doguinho me abordou e começou a pular em mim como se quisesse que eu pegasse no colo. Era tipo um poodle branquinho. Gente, era tão lindinho. Queria eu levar pra casa. Fui andando e ele ficou por lá. Ainda fomos no mercadinho comprar água pra viagem e um docinho porque a gente merece. A janta? Empanada do mercadinho (que é gostoso viu?). Deixa eu terminar de arrumar minhas coisas. Até amanhã!

Algumas imagens de SPA por outro ângulo.

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Publicado por Akemi Nomura 01:16 Arquivado em Chile Comentários (0)

San Pedro de Atacama

Dia 3

semi-overcast 1 °C
Visualizar 2019 Atacama e Uyuni no mapa de viagens de Akemi Nomura.

Vida de turista não é fácil. Hoje iam nos buscar às 5h30. Acho que fiquei preocupada com o horário e acordei pouco depois da 1h da manhã. Acho que fiquei acordada umas 2h e voltei a dormir. Deu 4h20 o alarme tocou. Vida de turista não é fácil. Nos arrumamos e às 5h26 a van chegou. O guia era o Daniel de novo. A van foi em outros três lugares e nesse caminho vi várias vans circulando pela cidade. Provavelmente com o mesmo destino. Depois que estavam os dez na van paramos pra pegar o pão e partimos para Geiser del Tatio.

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Aqui em SPA estamos a 2400m de altura. O mesmo que Machu Picchu. Os gêiseres estão a 4300m de altitude. O máximo que eu tinha ido eram 3800m no Peru. Aí entra em cena o soroche que também é conhecido como o mal da montanha. Aí veio a prevenção que aprendemos no Peru. Tomei o Sorochje que compramos no Peru e chá de coca. E ainda levamos bala de coca. Se vai dar certo eu não sei mas torço que sim. Ah, como a Gabi não podia tomar o chá de coca a moça do hotel sugeriu o chachacama. O chá era bem fedido mas acho que vai ajudar ela.

São cerca de 80km e levamos mais ou menos 1h40 pra chegar lá. Todos sonolentos oscilando entre cochilos e momentos acordados. E fomos subindo as montanhas. Não sei se era a subida mas me deu muita sede. Só que eu ia tomando aos poucos, só molhava a boca. Mas isso foi várias vezes. Gabi também fez a mesma coisa. Não sei se foi a altitude ou as curvas da estrada mas cheguei um pouquinho enjoada. Acho que pode ter sido a estrada porque o Miguel passou a maior galera pra sermos os primeiros a chegar nos gêiseres. E deu certo.

Na entrada descemos pra ir ao banheiro. Estava com o casaco grande e cachecol na mão. Desci e vesti rapidinho porque estava bem frio. Fui no banheiro e na hora de lavar a mão naquela água gelada? Senhor! Ali o Daniel foi pagar as entradas. Eram 5mil por pessoa e idoso só tem desconto se for chileno. Voltamos pra van onde o Miguel deixou a gente bem na entrada dos gêiseres.

Eu estava bem preocupada com a temperatura hoje. Estavam falando em torno de -10 graus. Já falei que odeio frio? Eu estava usando meia calça fio 120, mais duas calças, uma camisa de manga longa térmica, uma blusa de lã com gola cacharrel, um casaco pesado, gorro, cachecol grosso e luva. Pra nossa surpresa estava quentinho hoje: 1 grau. O difícil era tirar foto porque de luva não dava sensibilidade no touch. Aí você tira a luva rapidinho e coloca de novo pra não congelar. O legal do Daniel é que ele estava preocupado na gente estar entre os primeiros para o local estar vazio e podermos tirar fotos legais. Tinha só um grupo antes e conseguimos tirar umas fotos legais.

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O Geiser del Tatio é, com certeza, um dos tours mais procurados. Muitas vans estavam por lá. Os rios e lagos do Chile são formados por água que vem da Cordilheira e vão até o Pacífico. Só que na região do Atacama a água se infiltra nas rochas vulcânicas podendo chegar a 30km de profundidade. Lá embaixo passa o magma vulcânico que chega a 650 graus. Daí vem o encontro de água e magma, pressão e temperatura, que faz a água buscar uma saída formando os gêiseres.

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Andamos pelo campo e tiramos bastante foto. O Daniel tirou umas pra gente também. Ele explicou que a gente tinha que madrugar porque, em que pese os gêiseres “funcionem” 24h, os jatos de água e vapor só acontecem quando há um contraste marcante entre a temperatura da água e a temperatura ambiente. Aí o sol começa a subir, a temperatura ambiente aumenta e o show acaba. É o maior campo geotérmico do hemisfério sul e um dos mais altos do mundo.

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O Daniel nos deixou lá uns 15 minutos mais e ficamos tirando mais umas fotos antes de caminhar até a van beeeemmmm devagar.

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Uma coisa eu tinha ficado curiosa. Tinha visto um vlog de um rapaz falando dos gêiseres. Ele mostrou umas pedras vermelhas em torno de cada gêiser que era o limite de segurança, ou seja, era proibido ultrapassar. Como o vídeo era em espanhol eu não tinha certeza o que ele falou mas eu entendi que alguém caiu ali. Aí fui perguntar pro Daniel se já tinha tido algum acidente grave ali. Ele disse que nove pessoas já morreram ali. NOVE PESSOAS. Tudo por causa de uma foto. No começo ele já tinha falado que o hospital mais próximo estava em Calama a duas horas dirigindo. E devido a altitude e o ar rarefeito os helicópteros não chegavam ali. Ou seja, se cair ali morre! Definitivamente pessoas que morrem por dessa forma deve ser o que Darwin chamava de seleção natural. Olha como são as pedrinhas que marcam a linha de segurança (esse é o gêiser que aquece a piscina termal):

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Fizemos uma pausa pro café da manhã. Mesmo que a gente já tenha tomado café, como era distante, achei melhor comer algo. Pouco devido a altitude, não queria dar chance ao soroche. Mas a Rosana foi abatida pelo soroche. Ela já estava com uma cara de que não estava bem. Foi até antes da gente pra van. O Daniel disse que era melhor era comer alguma coisa mas pouco. Senão podia piorar. Achamos que o soroche pegou porque na parada da entrada pra ir ao banheiro ela foi colocar uma meia a mais e teve que trocar as peças que estava usando. O que era pra ser simples na altitude se torna um esforço fisico muito grande. Mas ela desceu da van e foi comer com a gente. Ainda ficamos mais um tempinho ali antes de ir embora. Aí claro, rolaram fotos.

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Não é recomendado ficar muito tempo lá porque a fumaça que sai é tóxica. Inclusive na piscina térmica, que ninguém teve coragem de entrar, recomenda-se ficar no máximo 15 minutos por conta do enxofre. Eu fui no banheiro antes de ir embora. No caminho vinha uma van e eu dei uma corridinha de uns 5m. O pulso foi pra lá de 120. Dei sorte que não peguei fila e na volta eu levei uns 2 minutos pra fazer um caminho que levaria uns 20s no máximo. Devagar e respirando profundo, sai de mim soroche! O Peru me ensinou muito sobre as cordilheiras.

Como estávamos adiantados e todos do grupo estavam lá nós resolvemos sair um pouco antes. O Daniel disse que todo mundo que estava lá ia para os mesmos lugares então fomos logo pra pegar o lugar vazio. Próxima parada foi o Mirante de Putama. Chegamos a tempo de pegar o mirante vazio. O lugar é magnífico.

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Um pouquinho antes ele explicou que o rio serve de atrativo para animais e aves da região. Mas devido aos turistas sem noção que invadiam o espaço dos animais, que acabaram sumindo dali, foi proibido parar sem que seja o mirante. O Miguel, motorista, passou devagarzinho pra gente poder ver as aves que aos poucos estão voltando. Numa voltinha o Miguel identificou um daqueles coelhos verdes, esqueci o nome. Podemos ver grupos de vicunãs, lhamas e aves locais vivendo tranquilamente por lá. Sem contar a linda vista da Cordilheira dos Andes e dos vulcões Putana, Curiquinca, Colorado, Escalante e Sairécabur que cercam a região. O Putana fica na divisa entre o Chile e a Bolívia e é um vulcão em atividade constante, tanto que é possível observar alguma fumaça saindo dele.

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Missão cumprida a nossa próxima parada (e de todos os outros grupos, haha) paramos no povoado do Pueblo Machuca. São 20 casinhas super rústicas. A população é formada por indígenas andinos. O Daniel disse que ali tinha um churrasquinho de Lhama que deveríamos experimentar. Mas antes fomos andar no povoado. O Daniel nos alertou para sermos amáveis com os habitantes. Tinham duas senhoras na rua vendendo souvenirs.

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No final da tinha uma igrejinha tão fofinha mas tinha que subir uma escadaria... já fomos bem devagar andando na rua que achei que seria impossível subir aquela escada. Mas a cara de frustrada da mamãe me deu coragem de subir com ela. E valeu a pena! A beleza está definitivamente na simplicidade. Que paz esse lugar!

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Descendo de lá vi Rosana lá embaixo. Pra ela não era legal subir por conta do esforço. Mesmo subindo devagar dava pra cansar. Fomos até a van não sem antes dar uma paradinha pra experimentar o churrasquinho de lhama. Os doguinhos são uma atração a parte em todo lugar.

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Saindo dali nós paramos num lago pra ver os flamingos! Que lindo! Tinham uns dois carros particulares dos quais saíram pessoas que mais uma vez invadiam o espaço dos animais. Os flamingo que estavam em um lado do lago acabaram atravessando para o outro. E isso deixou o Daniel e o Miguel bem indignados porque eles trabalham pra conscientizar as pessoas a respeitar esse espaço para que os animais não sumam dali. Mas os dois advertiram as pessoas que chegaram muito perto do lago de que era proibido. Os retardados logo fingiram demência dizendo que não sabiam. Detalhe, tinha placa advertindo. Haja paciência! Mas apesar desses sem noção pudemos apreciar os flamingos numa dança matrimonial. Que coisa mais linda! A natureza é perfeita!

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Acabou o tour! Pé no caminho para SPA. Levou um tempinho ainda e por volta das 11h30 chegamos em casa. Já falo “em casa” pois é assim que me sinto aqui no Cabañas Kirckir. Mais pra frente eu falo mais deles.

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Curtimos uma boa preguiça e por volta de 13h e pouco fomos almoçar “na cidade”. Tinha visto o restaurante número um do Tripadvisor. Em geral a gente acerta. Mas estava fechado. Ali na mesma galeria estava o restaurante número quatro. Foi ele mesmo: o Altiro. Eles tinham um cardápio executivo por 6500 pesos. Eu peguei um ceviche de entrada que estava delicioso. O prato principal eu escolhi a chorillana. É um prato típico chileno. A receita muda um pouco em cada lugar do país. Aqui a base era batata frita servida com carne em fatias, ovo frito, linguiça e cebola caramelizada. Estava simplesmente delicioso! Recomendo e depois vou fazer um Tripadvisor dele.

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Saímos ali no centro pra ver se achávamos o doce de leite que serviram no café da manhã hoje. Rodamos algumas lojas mas eu dei a ideia de ir na agência pra ver o nome do hotel na Bolivia pra Rosana e a gente aproveitava e perguntava lá qual era. Eu até pensei em levar mas aí ela disse que era Nestlé então eu desisti. Mas as meninas queriam então fomos no mercadinho que indicaram lá no Araya e compramos.

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Depois voltamos pra casa mas no caminho fizemos uma parada na igrejinha de SPA. Essa igreja foi construída em 1774 pelos jesuítas espanhóis. Foi em torno dessa igreja que foi surgindo o povoado de SPA. Uma curiosidade é o teto feito em madeira de cacto e couro de lhama no lugar de pregos. O uso da madeira de cacto é bem característico dos povos andinos. Parece cenário de filme esse lugar. Mais um lugar de paz!

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Dali voltando pela rua Gustavo Le Paige (nome do arqueologista belga que era apaixonado pelo deserto), descobrimos uma feirinha de artesanato. Seguia um pouco os padrões das lojas do centro e não compramos nada. Então voltamos pra casa.

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Hora de curtir preguiça de novo? Não! Resolvi começar a organizar as malas. Coloquei as roupas que não serão usadas na minha mala e as roupas que vão pra Bolivia na mala da mamãe. Depois que as coisas ficaram encaminhadas sentei na sala pra atualizar o blog até Gabi me chamar pra ir no mercadinho da esquina. Compramos empanadas pra comer mais tarde e depois fiquei assistindo jornal das notícias de Santiago. O bicho tá pegando lá...

Publicado por Akemi Nomura 00:40 Arquivado em Chile Comentários (0)

San Pedro de Atacama

Dia 2

sunny 18 °C
Visualizar 2019 Atacama e Uyuni no mapa de viagens de Akemi Nomura.

Acordei cedo de novo! Às 4h da manhã estava finalizando o post de ontem. Como era de se esperar está bem frio agora de manhã. A tendência é ir melhorando durante o dia mas tem que superar esse frio dos infernos até umas 10h pelo menos, depois fica menos frio e só a tarde esquenta.

Tô aqui pesquisando o local que nós vamos hoje e o povo tá dormindo um sono gostoso... Mas já são 6h30 e a van nos busca às 8h. Acho que vou começar a me arrumar pra não ter concorrência, hehe. Já estava com fome mesmo. Mamãe levantou e um pouco depois tocou o alarme da Rosana. Que comece o dia dois.

O passeio de hoje é para Lagunas Escondidas. Já li um bocado e vi alguns vídeos do lugar. Já sei que a água é congelante. Nem vou levar roupa de banho porque a chance de eu entrar nessa água é zero. Bom, sem sofrer por antecedência. As lagunas ficam em um salar a quase 60km de SPA. São 7 lagoas com um tom azul turquesa inacreditável. Em duas delas dá pra entrar. A temperatura MÉDIA da água é 18 graus. Lembrando que a temperatura externa vai estar uns 13 graus... se tiver um neoprene de 7mm eu posso pensar no caso, hehe. A concentração de sal aqui é mais alta que no mar morto. Se eu não estiver errada lá tem 300gr de sal por litro e aqui são 400gr. No meio do salar não podia ser diferente. Se lá não afunda, imagina aqui então...

Hoje a van atrasou meio minuto, rs. Fomos as primeiras e depois fomos pegando a galera. Estava 9 graus quando saímos. O guia disse que vamos hoje no outro lado da Cordilheira do Sal (a que fomos ontem). Logo no começo tem um vale que eles chamam Vale dos Dinossauros. Isso se deve ao fato das formações rochosas “parecerem” as costas de um dinossauro deitado. Não tomei chá de coca hoje então não consegui ver isso. Mas era uma paisagem bonita. A estrada também é maneira, tipo, parece sem fim.

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Chegamos antes do pessoal que abre as lagunas. Mas nem precisou esperar tanto porque eles chegaram logo depois. A entrada custa 5000 pesos regular e para idoso custa 3000. Ali na entrada tem banheiro e lugar para tomar ducha (pra quem vai entrar). Depois de pagar fomos até o estacionamento. São sete lagunas sendo que na primeira e na última é permitido entrar. Logo na primeira já fizemos uma pausa para fotos já que estava vazio. Muito lindo o lugar.

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Depois fomos seguindo a trilha com o guia sempre junto. Ele parava e fazia algumas explicações da formação dos sais. Eu confesso que não vou saber reproduzir aqui tudo que ele falou. Teve uma hora que ele fez o experimento que foi feito ontem. Ficamos todos em silêncio e conseguimos ouvir aquilo que o Hector chamava de sinfonia do sal: o barulho do sal trincando. E assim vão subindo pequenos ressaltos que, se não chove (o que é normal), vai escurecendo e formando a paisagem do lugar.

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Desculpa gente, tem muita foto e eu não consigo me decidir.

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Continuamos a caminhada e, desastrada como eu sei que sou, nem olhava muito a paisagem, estava mais preocupada em olhar onde eu estava pisando para não cair. Detalhe, estava com câmera no pescoço, gopro pendurada no braço e celular no bolso. Mas cheguei inteira! Na última laguna também pode mergulhar, ou melhor, boiar. Temperatura da água? O guia disse que estava DOZE graus! Sem chance! Sabe quantas pessoas entraram? Nenhuma! O guia disse que era a primeira vez que ninguém num grupo dele entrava. Fiquei até com dó, rs. Mas ficamos lá aproveitando o visual e tirando 478 fotos.

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Tô com problema pra escolher foto hoje.

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Depois de um tempo o guia disse que ia voltando mais rápido e nos deixou à vontade pra voltar no nosso tempo. Eu, como não aproveitei a ida, fui voltando bem devagar. Parei várias vezes pra fazer fotinhas. O sol estava bem forte. A garrafinha de água já estava esvaziando. Super curti o lugar. Confesso que chegou a bater um certo arrependimento de não ter levado roupa de banho. Estava quente e sair não seria problema. Mas entrar... Uma pena! Mas valeu muito o passeio.

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Voltando pro estacionamento a mesa já estava posta. Hoje foi servido ceviche. Estava uma delícia! Tinha um queijo com shoyu também, nham nham. Tava muito bom pra variar. Tomei só um pouquinho de vinho porque fiquei com receio depois da taquicardia de ontem. Troço ruim, quero de novo não... brindamos a mais um dia nessa viagem mara!

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Voltamos por volta das 13h, eu acho. O trajeto das lagunas até SPA leva cerca de 1h. Foi o momento de ficar um pouco de bobeira. Aproveitei que estava calor e lavei o cabelo. Coloquei uma bermuda pra dizer que usei pelo menos uma vez. E assim foi todo mundo tomar banho. Eu decidi ir lá pro terraço da cabana porque o dia estava agradável. Depois todo mundo subiu e a gente ficou lá batendo papo.

Estava vendo sobre a erupção do vulcão Lascar. Parece que foi a última explosão de vulcão no Chile. Isso foi em 2006 mas parece que até hoje ele solta uma fumaça que daria pra ver se SPA. Procurei no mapa pra ver onde era e não achei nenhuma fumaça. Talvez não dê pra ver o vulcão, só a fumaça, sei lá. Mas fiquei curiosa. Amanhã vou perguntar pra dona do hotel.

Resolvi tentar brincar com o drone. Apanhei um pouco até conseguir conectar tudo. Levantei o drone por pouco tempo, a bateria estava baixa. Amanhã eu brinco de novo.

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Gabi perguntou se rolava uma meia hora de descanso. Por mim de boa, afinal, estamos de férias! Perto das 16h saímos pro centro. Estava quente ainda mas lá pelas 18h começaria a esfriar. Então troca a bermuda, pega o casaquinho e pé no caminho. Leva uns dez minutos até o centro.

Chegamos na praça e descemos da Gustavo Le Paige para a Caracoles. A Caracoles é a principal rua de SPA. Várias empresas de turismo ficam por ali. Tem vários restaurantes também de todo tipo. Lógico que as lojinhas de souvenirs que vendem aquelas bugingangas todas iguais também lotam a Caracoles. Fomos andando por ali sem compromisso. Compra uma lembrancinha aqui, um imã de geladeira lá, e fomos indo.

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Mais fotinhas pra dar uma real de SPA.

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Claro que teve a primeira parada em um restaurante de SPA. Um brinde a nós!

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Uma das atrações de SPA são os doguinhos. Eles são grandes e bonitos. Mesmo os de rua são super bonitos. Além de super amigáveis. Parece que mesmo os que tem dono ficam soltos. Eles realmente são uma atração a parte da cidade.

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Resolvemos seguir a indicação do coleguinha das termas de Puritama que dividiu a piscina com a gente e fomos no Casa de Piedra comer uma pizza. Estava cedo ainda, acho que não eram 18h. Eles ficam abertos direto. A pizza estava bem gostosa, valeu a caloria. Veio na hora certa, foi na quantidade certa. Depois passamos numa lojinha e eu comprei uns brincos de prata que eu adoro. Por fim, terminamos na gelateria do final da rua que definitivamente não valeu a caloria.

Já estava esfriando e fomos voltando sem pressa. As ruas estavam bem cheias. É a galera que não fez passeio à tarde com a galera que fez passeio de dia (quase) inteiro. Chegamos em casa e já fomos arrumar as coisas porque amanhã vão nos buscar às 5h30. Difícil vida de turista, viu? Rs. Por hoje eu só pessoal!

Publicado por Akemi Nomura 22:08 Arquivado em Chile Comentários (0)

San Pedro do Atacama

Dia 1

sunny
Visualizar 2019 Atacama e Uyuni no mapa de viagens de Akemi Nomura.

Dormi pouco mas dormi bem. Acordei às 4h e fui ler um pouquinho sobre o passeio de hoje. Um dos blogs me chamou a atenção pra uma coisa sobre a pacata San Pedro. Com a descoberta de SPA pela horda de turistas, muita gente veio pra cá pra chutar o balde. Era fácil encontrar gente bêbada e/ou drogada nas ruas. Isso incomodou as tribos locais. Então algumas leis devem ser respeitadas.
1. É proibido beber na rua (vale pra todo Chile)
2. Os locais que vendem bebidas só vendem se pedidas se for junto com comida.
3. Proibido ficar bêbado nos bares. Caso isso ocorra a pessoa é convidada a se retirar do local para que o mesmo não seja multado.
4. Festas e música alta são proibidas depois da meia noite
5. É proibido dançar! Pois é...
6. Bares e restaurantes fecham no máximo a 1h da manhã

Pois é amiguinho, se você tem espírito baladeiro guarde ele com você. SPA foi feito pra jovens idosos como eu, haha.

A medida que foi amanhecendo parece que foi ficando mais frio. Gente do céu! Tá sofrido pra mim, viu? Aliás, pra todo mundo. Difícil sair debaixo das cobertas. A primeira frase hoje não foi “bom dia”, foi “que frio”. Estava eu me arrumando quando ouço um barulho na porta. Parecia um arranhão. Achei que estava ficando doida. Depois de uns minutos ouvi de novo. Fui abrir a porta e tinha um doguinho. Bom dia doguinho!

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Às 8h o guia estava lá para nos pegar.

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Hoje o primeiro passeio é para Termas de Puritama. São piscinas de águas formais. As águas são quentes porque passam próximo ao magma produzido pela fricção das placas tectônicas que ficam abaixo do Chile (razão dos diversos tremores que o país sofre). São 8 piscinas sendo que a primeira é exclusiva para hóspedes do hotel proprietário do local. A entrada para adulto custa 15 mil pesos e a de terceira idade custa 5 mil.

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A Araya leva a gente até próximo às piscinas. Alguns não podem ir de carro até embaixo. É um caminho razoável mas o problema é que a volta é uma subida tensa. Quando a gente está a mais de 3000m amigo.... tenso!!!! Criamos coragem e trocamos de roupa. Pegamos a piscina número 6. Tinha um casal de brasileiros de Itu lá e depois chegaram dois amigos de Curitiba. Foi divertido todos juntos dando risadas.

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Pouco antes das 11h resolvi sair. Gabi e Rosana vieram junto. Gente, muito frio!!!! E batia um ventinho ainda.... gezuis! Foi tensa a saída. Subi batendo queixo. Sério gente, é difícil viu? O roupão salvou um pouquinho mas o frio estava bravo demais. Fui direto trocar de roupa. Depois de colocar roupa quentinha ainda levei um tempo pra esquentar. Uma coisa boa do clima seco é que o cabelo fica lisinho... rs.

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O Daniel liberou o coquetel que foi quase um almoço. Tinha sanduíche, salame, aqueles tira gosto, torta, frutas. Serviu vinho também. Resolvi tomar afinal estamos Chile. Rolou um bate papo legal e muita risada.

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Mais pro final me senti esquisita. Na subida da piscina senti bastante cansaço mas como estávamos a mais de 3000m era justificável. Mas agora parecia que o coração estava acelerado. Levantei meio e estranha e fomos indo pra van. Uma hora Rosana parou dizendo que estava com o coração acelerado. Eu fui ver minha pulsação e também estava alta. Alta demais mesmo com a altitude. Só sei que paramos umas 3 vezes até chegar na van.

Chegamos no hotel e fui deitar. Gabi disse que estava se sentindo tonta. Também deitou um pouco. Só sei que foi o suficiente pra gente se sentir melhor. Fomos andando até o centro pra ir na empresa pagar o que faltava. Fechei os passeios com a Araya Atacama e estou gostando dos serviços deles. Mas deixa terminar os passeios pra gente ver qual é. Dali da empresa mesmo a gente pegou a van.

O destino agora era Vale da Lua e Vale da Morte. Deserto no sentido literal da palavra! A entrada ali era 3000 pro Vale da Lua e 1000 pro Vale da Morte.

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A primeira parada foi pra um trekking em direção à grande duna. Estava bem quente esse horário e o calor castigou um pouco. Fora que o ritmo do guia estava bem fora do nosso. Mas fomos indo no nosso ritmo. Fizemos uma parada para umas fotos que o guia bateu e ficou fodastica. O cara conhece muito de foto porque ele tirou umas fotos sensacionais!

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A caminhada total era de uns 3 km. Mas nós fizemos um quarto disso, eu acho. E quando eu digo nós eu quero dizer eu, Rosana, Gabriela e mamãe porque o resto seguiu em frente, haha. E acho que mamãe só veio porque ela não estava ligada no que estava acontecendo, hehe, tadinha! Nessa cortada de caminho nós chegamos até a grande duna! Que vista dali gente! Tenho nem palavras pra explicar. Melhor, tenho uma palavra: SENSACIONAL.

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Enquanto aguardávamos o grupo mamãe estava inquieta. Subiu uma parte bem alta do lado direito que a gente estava e voltou encantada para contar. Depois eu vi que ela estava querendo fazer alguma coisa então disse para ela subir a montanha do lado que o pessoal ia vir e ela encontrava eles no caminho. E lá foi ela subindo a ladeira. Quando estava quase no alto ela encontrou o grupo. De longe eu via a alegria dela. Acabou que ela foi até o topo e o guia foi junto tirar umas fotos.

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Terminamos o passeio e fomos pra cordilheira do sal. Tiramos umas fotinhas antes, claro. Parece que antigamente tudo isso ficava no subsolo. Com a fricção das placas tectônicas aquela parte subiu formando as cordilheiras de sal. Era mais ou menos isso, hehe. Cristais de sal em vários estágios eram vistos nos paredões.

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Dali fizemos mais uma parada na pedra do Coyote. Parece que essa pedra não existe mais. Mas a parada ainda ficou conhecida pelo nome da pedra. Ali tínhamos uma outra visão do parque. Muitos equipamentos usados na lua eram testados ali no Atacama. A região é hoje o maior produtor de lítio do mundo. Lembra o calor da tarde? Já era!

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Última parada foi no Vale da Morte. O nome desse vale era pra ser Vale de Marte. Sua superfície lembra muito o planeta Marte. Mas houve uma confusão com o nome em espanhol e acabaram entendendo Morte ao invés de Marte. Ali o frio do deserto bateu de vez e com muito vento. Não dou conta de frio. O por do sol foi muito lindo e as montanhas do outro lado mudavam de cor. Ali fizemos um coquetel e depois partimos pra SPA.

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Chegamos no hotel e já fomos no mercadinho porque com o frio que estava ninguém ia querer sair depois. E a janta foi uma empanada da esquina que tava gostosa, viu? Agora olha a situação do tênis no fim do dia...

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P.S.: Disse lá em cima que SPA foi feita pra jovens idosos como eu mas os passeios no deserto foram feitos para idosos jovens como mamãe, haha.

Publicado por Akemi Nomura 01:15 Arquivado em Chile Comentários (0)

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